19 janeiro 2012

SENSAÇÃO DE POBREZA.

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SENSAÇÃO DE POBREZA.
(Por Paulo Tarcísio Cavalcanti - jornalista - tarcisiocavalcanti@bol.com.br)

Este começo de 2012 tem me trazido a sensação de que o contingente de pobreza, ou seja, o número de pessoas que enfrentam uma realidade de incerteza e de necessidade, tem aumentado.

É o tipo da sensação real, não apenas “sentida”, mas vista com os próprios olhos, embora bata com as estatísticas do discurso oficial que alguns meios de comunicação não se cansam de propagar repetidamente.

Por essas estatísticas, tentam nos impingir uma realidade que os olhos não enxergam: a pobreza está diminuindo, a classe média e até a quantidade de “milionários” encontra-se em expansão, inclusive – imaginem – aqui no Rio Grande do Norte.

Claro: Não disponho de informações técnicas para contestar as estatísticas oi ciais. Também não desconheço o quanto é significativa a esmola do Bolsa Família para milhões de brasileiros e milhares de norte-rio-grandenses.

Pior ainda seria a realidade que vejo diariamente, não fosse esse gesto paternalista e eleitoreiro do governo federal. Ruim com ele – porque vicia, acomoda, dá preguiça; pior sem ele, porque, pelo menos, a fome diminui.

O que não diminui, desgraçadamente, é a desigualdade social reinante no Brasil.

A sensação – pelo menos ela – é de que é cada vez maior a distância que separa os brasileiros mais ricos dos brasileiros mais pobres. Aqueles têm cada vez mais; esses cada vez menos.

Tal realidade desafiava – na minha mente – a estatística e o discurso oficial ontem de manhã, quando me dirigia para escrever este artigo.

Chegando no cruzamento da Prudente de Morais com a Antônio Basílio, no canteiro de frente do Hiper Bom Preço, lá estavam sete pessoas. Uma, já sentada, olhando para a incerteza do dia que come-çava; as outras seis, ainda deitadas, aparentemente dormindo, como se acostumadas à chocante rotina de necessidades.

Pouco depois, de frente para o computador e ainda buscando um tema para dedicar estas linhas, alguém falou como se estivesse acompanhando as dúvidas e incertezas do meu pensamento:- Estão fazendo um edificio, onde cada apartamento custa 9 milhões e meio de reais.

Confesso que tomei um susto. Em Natal? Ainda indaguei. Era.

Pois bem: Se não temos sensibilidade, não apenas para nos espantar, mas para nos assustar com uma realidade dessa, não quero nem pensar no tipo de futuro que estamos construindo.
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