21 janeiro 2012

SAÍDA PELA PORTA DOS FUNDOS.

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SAÍDA PELA PORTA DOS FUNDOS.

.....Cada povo tem o governo que merece. A frase pode até ser encarada como demasiadamente batida, mas quanto ao seu enquadramento no contexto atual, isso não pode ser negado. Veja-se como exemplo (e que exemplo!) o município de Mossoró, RN, a segunda maior cidade do estado do Rio Grande do Norte, onde uma onda de boatos plantados (e muito bem plantados) dá-nos conta da possibilidade de renúncia (ou não renúncia) de sua atual prefeita.
.....Caso isso realmente aconteça, o que vai alterar no lerdo governo/administração do município? Absolutamente nada. Na melhor das hipóteses, serão trocados seis por meia dúzia. E, só!
Algum desavisado poderia indagar: ah! mas se a prefeita renunciar, quem assume o cargo, em definitivo, é a sua vice prefeita, que é irmã da atual governadora do Rio Grande do Norte. Sim, e daí? Perpetuação no poder à parte, mas a verdade é que Mossoró teve até agora prefeitos compatíveis com o merecimento de seu povo, que acertadamente (ou não) os tem credenciado à condição de governantes.
.....A atual administração, já no seu segundo mandato, é uma lástima e nem por isso presenciamos qualquer levante ou demonstração de descontentamento capaz de abalar a máquina. Para o nosso povo, pacato por excelência, o sonho de que o próximo governo será melhor, lamentavelmente, sempre imperou. Daí porque se estamos há mais de sete anos sofrendo as conseqüências oriundas, via de regra, de uma espécie de marasmo administrativo, “comandado” por duas ou três pessoas que ocupam determinados postos/pastos na Administração Municipal, é porque o ciclo permanece em aberto.
.....A indagação a ser feita seria: chegou a hora de fechamento do ciclo?
.....A prefeita de Mossoró, no alto de sua cátedra, certamente, não tem plena consciência do que representaria, neste momento, o ato de renúncia de seu mandato, outorgado pelo povo, portanto legítimo, tanto para si quanto para outros.
.....Pelo sim pelo não, embora tenha ela declarado por várias e várias vezes que não renunciará ao seu mandato, fica de minha parte, a título de sugestão (não mais que isso) a última frase de sua Carta-Renúncia: ...saio da vida pública, pela porta dos fundos, para retornar, em definitivo, para o lugar de onde nunca deveria ter saído: minha casa.

HERBERT MOTA

Um comentário:

Rui Nascimento disse...

Texto impecável.
Na verdade se isso acontecer (renúncia), ela vai apenas oficializar o que, na prática, ela já o fez desde que foi eleita, pois todos sabem quem, de fato manda, e que ela é apenas uma figura decorativa no "Palácio da Resistência".
Portanto, meu caro Dr. Herbert, ela vai sair, e pela porta dos fundos, de um lugar onde ela nunca entrou de fato, apenas ilustrou as paredes com suas fotos.
Só tenho uma coisa a dizer: saindo agora ou em 31 de dezembro, já vai tarde!