31 outubro 2011

O ACERVO DE MANUELITO.

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O ACERVO DE MANUELITO.
(Por Carlos Costa – fotógrafo)
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No finalzinho do século XX, ao realizar uma limpeza no sótão do antigo prédio da Cine Foto Oeste, descobri, abandonado em caixas e coberto de poeira, um dos mais importantes tesouros históricos e políticos do município de Mossoró: centenas de fotografias, negativos e outros objetos que pertenceram a Manoelito, fotógrafo responsável pela velha fotografia, no tempo em que essa função era feita com o sabor da arte. Sem a facilidade dos programas de edição nos computadores, as interferências do autor das imagens eram feitas à mão com lápis e equipamentos especiais, tal qual um artista plástico realiza acomodações em suas telas.

Esse arquivo foi deixado ali por Arnaldo Barreto, dono da Cine Foto Oeste - Natal, que comprou, em 1988, o acervo do próprio Manoelito e os arquivou na recente filial da loja na capital do Oeste, onde eu era funcionário. O gerente, à época, Elias Junior, foi quem solicitou que eu fizesse o rastreamento do material no andar superior do prédio, instalado no térreo da antiga sede da União dos Artistas, que ficava vizinho ao Cine Cid, hoje Teatro Lauro Monte Filho.

Foi uma surpresa. Caixas e caixas com negativos, fotos, máquinas fotográficas, tripés e até lápis de retoques estavam em minhas mãos, entregando-me, de bandeja, dezenas de anos da história. Lugares, pessoas e principalmente famílias inteiras, como eram comuns as fotografias dessas épocas, registravam uma Mossoró que se modifica constantemente.

Demorei horas olhando e separando cada objeto. Entendendo a importância do material descoberto, sugeri a Elias Junior que esse material deveria ser entregue ao domínio público do Município, através do museu municipal Lauro da Escóssia. Ele entrou em contato com a família e, depois de falar com uma filha de Manoelito, autorizou a doação.

Infelizmente, sem a estrutura adequada, o acervo voltou a ser encaixotado no museu, escondendo anos de imagens do nosso povo e de nossas paisagens. Na época, ainda lutei, junto ao então vice-prefeito Antônio Capistrano, pela restauração desse material que nunca saiu. 
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Recentemente, o anúncio da reforma do Lauro da Escóssia devolveu-me a esperança de ver as fotografias de Manoelito entregues ao seu verdadeiro dono: o povo de Mossoró.
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