29 outubro 2011

ARTIGO DA SEMANA.

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O PACTO DOS CORONÉIS
(Por Rubens Coelho - jornalista - rubensfcoelho@hotmail.com)

No início do século passado, quando o sertão nordestino, especialmente alguns estados como o Ceará, o poder econômico e político exercido no interior era o do coronel, que mandava e desmandava em seu território: cidade e adjacências. Havia para tanto, um acordo tácito entre eles, para que um não interferisse na área do outro. Quando isso acontecia, o confronto bélico era inevitável, já que esses senhores absolutistas tinham seus exércitos particulares de homens bem armados. 
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Dispunham da vida ou da morte dos cidadãos. Gozavam até do direito medieval da primeira noite de nupcia com a jovem (bus primae noctis), antes do marido camponês vivente em seu latifúndio. Os coronéis não se subordinavam aos governadores, pelo contrário, estes eram que obedeciam aos ditames dos potentados. No dia 4 de outubro de 1911, portanto há um século, para acalmar as oligarquias em conflito na região do Cariri cearense, Padre Cícero, convocou os chefões para uma reunião em Juazeiro do Norte, e, sob sua égide avalizou um acordo entre eles, de não beligerância nem disputa entre os domínios de cada um. Esse episódio ficou registrado na história como o Pacto dos Coronéis.

No Rio Grande Norte, o coronelismo nem de longe têm as características do congênere do século passado, sua face é mais moderna, mas o princípio de domínio político continua semelhante. Quando alguém se intromete a ameaçar o poder oligárquico existente no Estado, mesmo que tenha sido circunstancialmente aliado, é logo descartado de forma sumária. Tem-se inúmeros exemplos dessa prática, o mais recente aconteceu com Robson Faria, coronel periférico que não teve força suficiente, pelo menos, por enquanto, para disputar parcela do poder com seus parceiros maiores: José Agripino, Carlos Augusto; Henrique Alves e Garibaldi Alves, representantes das legítimas oligarquias que há décadas dominam o Estado Potiguar. São resistentes as mudanças havidas no país, pois de uma forma ou de outra, estão sempre protegidas do Poder Central que se sucederam nos últimos sessenta anos.

O imbróglio entre a governadora Rosalba Ciarlini, diga-se Carlos Augusto e o vice-governador, teve como pano de fundo, a hegemonia do poder pelos coronéis dominadores, e não por questões meramente burocráticas de secretaria, cargos ou verba públicas, esses detalhes serviram apenas de pretexto para o desfecho da cena.

O poder desses coronéis só terá um fim quando os eleitores, mesmo sem uma reforma político-eleitoral necessária, se conscientizar e extirpar o atraso provocado por esse domínio. Quem sabe, um dia se chegue lá.
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