23 setembro 2011

ARTIGO DA SEMANA.

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NINGUÉM É FORASTEIRO
(Por Rubens Coelho - jornalista - rubensfcoelho@hotmail.com)

Agosto de 1958, Milagres, cidade portal do Cariri, sul cearense, 450 quilômetros de Fortaleza, numa manhã ensolarada e ainda friorenta, como é comum nessa época do ano por aquelas sítios dos sopés da serra de Goianinha, do conjunto geológico da Chapada do Araripe, um jovem de apenas 15 anos, junto com seu irmão de mais idade, Francisco, tomavam um ônibus da empresa Expresso de Luxo, para percorrer por todo o dia, a longa distância pela estrada poeirenta de piçarra até a capital do Ceará

O menino levava na bagagem, a esperança e o medo. Esperança de poder melhorar de vida por meio dos estudos, principal motivo de sua ida para a capital. Medo, pelo desconhecido, pela cidade grande que agora iria conhecer e enfrentar pela primeira vez.

Chegando a Fortaleza foi morar na Casa dos Estudantes, onde já estavam mais três irmãos mais velhos: Ari, Francisco e Rui. Naquele ano, tinha ficado órfão de pai. Para sobreviver, arranjou emprego de contínuo num banco estatal mineiro. Conseguiu se matricular no velho Liceu do Ceará, que para se conseguir ingresso, passar-se-ia primeiro por uma prova de seleção. Lá ele conseguiu terminar o antigo ginásio e depois o curso científico. Tempos difíceis, trabalhando durante o dia e estudando a noite.

Ficou dez anos e alguns meses na capital alencarina, integrando-se completamente à cidade. Militou no movimento estudantil e sindical, participou da juventude comunista, viveu intensamente àquele tempo.

Início de 1969, por razões políticas foi obrigado a migrar para o Rio de Janeiro, ser Paraíba, como os cariocas chamam os nordestinos. Quando estava quase se enfronhando com a cidade ainda maravilhosa, novamente teve de sair para outras paragens, dessa feita o destino foi São Paulo, capital, lá se instalou, estudou terminou seus cursos superiores, casou-se com uma moça de lá, teve seus dois filhos, militou na política, participou de muitos embates contra a ditadura militar até culminar com a redemocratização do país, o baiano como os paulistanos chamam os nordestinos, sempre desejou voltar para as terras onde soprassem as suaves brisas do Aracati. 
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Assim, depois de dezoito anos bem vividos no Planalto Bandeirante, a convite do irmão Rútilo, em junho de 1987, ele aporta na terra do sol, do sal e da liberdade. Fazendo dessa cidade que o adotou um bom filho zeloso para com sua mãe. Ganhou a prerrogativa dos filhos legítimos através do honroso título de Cidadão Mossoroense que lhe foi conferido em 18 de junho de 1993, por proposição do então vereador Joalba Vale.

Como o planeta Terra é um só, a humanidade é uma só, o Brasil é um só, o Rio Grande do Norte e Mossoró, partes integrantes desse imenso país, como brasileiro nato, cumpridor de seus deveres de cidadão, que contribui para o desenvolvimento material, cultural e espiritual, da cidade onde vive, não pode nem se considera um forasteiro, as mentes mesquinhas, medíocres e raquítica de inteligência podem até pensarem assim, mas para ele isso nada significa, pois se sente mais nativo do que muitos que assim de julgam.
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