22 julho 2011

ARTIGO DA SEMANA.

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PRODUTOS CHINESES
(Por Rubens Coelho -jornalista - rubensfcoelho@hotmail.com)
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O mundo está sendo invadido pelos baratos e descartáveis  produtos fabricados na China, aonde a qualidade  deixa muito a desejar, porém, os preços são imbatíveis e a disponibilidade da pirataria como elemento integrante normal de sua produção industrial para o mercado exterior está inevitavelmente presente.
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O salto econômico gigantesco dado pelo país asiático nos últimos trinta anos,  tem abalado profundamente a economia mundial, inclusive dos países ricos, hoje mergulhados em profundas crises, como os Estados Unidos e a Europa.  Só para se ter uma idéia da dimensão do problema, basta dizer que o déficit financeiro dos Estados Unidos com a China é de mais de um trilhão de dólares, entre investimentos financeiros e déficit comercial.
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O fenômeno chinês se dá por vários fatores:  educação, planejamento, baixa carga tributária, mão de obra barata e bastante produtiva, pois lá não existe salário fixo para o trabalhador que ganha por produção e sem previdência social.  Imensa população, um bilhão e trezentos milhões de habitantes, culturalmente disciplinados, além do próprio regime autoritário presente em toda cadeia produtiva com suas metas de desenvolvimento.
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Num primeiro momento, a China abriu seu mercado para o mundo, atraindo fábricas e mais fábricas do ocidente,  seduzido pelas facilidades existentes e oferecidas, mas principalmente pela mão de obra quase de graça, relativamente aos países industrializados, que passaram a transferir fábricas inteiras para o território chinês. Depois de  algum tempo, a China foi  absorvendo a tecnologia importada, apossando-se e desenvolvendo os conhecimentos adquiridos, adequando-os à sua realidade e necessidades até tornar-se a maior potência industrial do mundo da atualidade.
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Enquanto isso o Brasil, por exemplo, cujo processo de industrialização levou mais de sessenta anos para atingir certo nível de desenvolvimento, está agora passando por procedimento inverso, deixando de fabricar para importar. No ritmo em que anda, brevemente o país passará a ser apenas exportador de matérias primas  a preços baixos e importador de manufatura a preços elevados. Aliás, parece ser essa a estratégia chinesa, desindustrilizar o mundo e, quando isso ocorrer, aí sim, a China imporá os preços da matéria prima importada por ela, e também da manufatura exportada. Parece um projeto mirabolante, mas a realidade já nos mostra que esse objetivo é perfeitamente factível.
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Assisti outro dia, uma entrevista com o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo, onde ele afirmava que a importação de produtos chineses e da instalação de indústrias  dessa origem, apenas com linha de montagem, já estava provocando fechamento de empresas brasileiras e desemprego no setor.
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E não só na metalurgia que isso acontece, outros segmentos industriais brasileiros: têxtil; de calçados; elétrico; eletrônico entre outros, estão sentindo o peso da  concorrência predatória chinesa.
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