24 junho 2011

ARTIGO DA SEMANA.

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MEU AMIGO DA PICADA UM.
(Por Rubens Coelho - Jornalista - rubensfcoelho@hotmail.com)
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Já tive oportunidade de descrever nas páginas do jornal Gazeta do Oeste, sobre seu Libório, velho sitiante, da zona rural nas imediações de Mossoró, que, do alto de seus oitenta e três anos, mantém a lucidez de quem só tem quarenta. Inteligente; perspicaz, apesar de sua pouca instrução formal. Fez apenas até o terceiro ano primário, é leitor voraz de livros e jornais, fazendo-o bem informado sobre tudo que acontece em nossa aldeia mossoroense, no país e no mundo. 
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Sua sabedoria, a boa conversa me fascina. Estou sempre aprendendo algo com ele. Sobretudo, a respeito do comportamento humano e da política. Quando tenho dúvidas a respeito de algum assunto relacionado, o velho Libório, sabiamente me esclarece, orienta e ensina-me sobre a verdadeira essência dos fatos. Frequentemente vou ao seu rancho onde sou recebido com a hospitalidade característica dos sertanejos genuínos. 
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Sua companheira Quitéria, mulher de fibra, bem menos instruída que o marido, com seus setenta e cinco anos de existência, sempre lutando nas lides da agricultura junto com o esposo. Chama-me de compadre, pois realmente esse compadrio existe desde duma noite de São João, há algum tempo, em volta da fogueira, formalizamos essa combinação sob a benção do santo festeiro. Eu também os chamo de compadre e comadre.
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Domingo passado fui visitá-los. Manhã de sol claro, anunciando final de inverno, ou seja, nenhuma nuvem no firmamento. O sertão bonito, verdejante, florido, depois da bendita chuvarada caída nos últimos meses, prenunciadora de boa safra para quem vive na roça.
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E não me enganei, quando cheguei ao Sítio Boa Sorte, encontrei seu Libório deitado numa rede de varanda, armada no alpendre da casa. Desci do carro-bom dia compadre!- Bom dia meu jovem, por onde tem andado? Pensei que tinha se esquecido de 'nóis'. – Não esqueci não, amigo velho, é que, tendo andado tão atarefado que quando chega o final de semana, meu gosto é ficar em casa dormindo, como gato em bica. Mas há dias programo visitá-los, sentindo falta das nossas boas prosas. – Você chegou bem na hora, matei um carneiro cevado, que será servido no almoço, a carne, a fuçura do animal e de quebra um sarapatel que só Quitéria sabe fazer. 
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Nisso chega à comadre dizendo, - ô compadre Rubes, que alegria em lhe ver, ainda mais hoje que estou preparando para nóis um cumê no capricho! – Obrigado comadre, mas não precisa se preocupar. - Num tô preocupada não, tô é fazendo com gosto. Viche! deixei a panela no fogo com o sarapatel, vou espiar como está. - Tá certo comadre.
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E aí seu Libório, como estão as coisas? Em termos estão bem. - Mas por que em termos? – Para o nosso lado, não do que reclamar, o inverno foi bom, a safra de milho e feijão vai dar para o gasto e ainda vou apurar um dinheirinho com a venda do que sobrar, não vai faltar pastagem para o gado, enfim, tá tudo nos conformes. – Em tão o que está faltando? –Vergonha na cara de muitos políticos, não de todos, mas duma grande parte que só pensa em roubar, a corrupção desgraça de Norte a Sul do Leste ao Oeste deste país. Num tem jeito todo dia se sabe notícia desses patifes metendo a mão no dinheiro alheio, nos cofres públicos. É uma vergonha. 
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Veja essa do Antônio Palocci, ex-ministro da Casa Civil, o homem ganhou vinte milhões de reais em apenas um ano, dizendo que recebeu de serviços prestados em consultoria e que essa ruma de dinheiro é por terem algumas empresas adiantado o pagamento. Ô gente mão aberta, caridosa, né mesmo? E, ainda vem com a cara de vaca atolada no brejo, pedir ao povo para lhe dá um voto de confiança. Já pensou? Sei não!...
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No Rio Grande do Norte, temos uma governadora que nesses seis meses, só tem olhado para o passado enquanto o Estado se encontra paralisado com greves do funcionalismo em diversos setores. Os governantes dizem que não tem dinheiro para atender as reivindicações dos servidores. Mas estão empenhados em arranjar mais de um bilhão de reais para construir um estádio, o tal Arena das Dunas, que durante a Copa de 2014, certamente sediará jogos sem futuro, sem atrativo algum. E depois do campeonato, praticamente não servirá para nada. Será mais um elefante branco. Coincidentemente, a construtora que vai executar o monumento à burrice e ao desperdício, é OAS, empresa baiana da terra do Benito da Gama, Secretário do Desenvolvimento Econômico, de quem? Deles é claro.
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Enquanto isso, a segurança, é uma coisa tremenda, se mata mais gente em Mossoró do que na guerra do Iraque; a saúde é um caos completo; a educação sucateada. A professora Amanda Gurgel, falou bonito, ela está certíssima. Pergunto, para onde estão indo os altos impostos que nos são surrupiados? Então, meu amigo Rubens não se pode ficar satisfeito com essa situação de calamidade político-administrativa imperante no Estado e em nosso País. Que você acha? – Compadre Libório, concordo com o senhor em gênero, número e grau. Os brasileiros estão fartos de tanta bandalheira e impunidade.
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