15 fevereiro 2011

GOVERNADORA, PARE DE CHORAMINGAR E VÁ CUMPRIR SEU DEVER.

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Qualquer governo oriundo de uma 'coalisão de interesses', porquanto carente de identidade própria, tende a, gradativamente, se esvair em mesmices.

Veja-se, por exemplo, a situação exaustivamente repetida pela governadora Rosalba Ciarlini (DEM), bem assim por seus auxiliares, na qual insistem em conduzir a máquina estatal falando ‘mal’ da administração anterior.

São tantas as reclamações tidas, mantidas e repetidas, na atual administração do nosso Estado, que haja ouvido para escutar (e suportar) tantas lamúrias.

Quem diabo está interessado em saber que o governo anterior administrou mal a saúde, a educação, a segurança pública, etc? Isso, concordando ou não, todo mundo já sabe e, se não sabia, ficou sabendo.

Aliás, em termos de ações político/administrativas, os governos do Rio Grande do Norte têm por praxe administrar (e mal) a folha de pagamento e, com sorte, realizar algumas obrazinhas, o que, ao fim e ao cabo mostra o palmar estado de dependência do nosso Estado em relação ao Governo Federal (leia-se Palácio do Planalto).

Rosalba não seria (nem será) exceção.

O mandato de Rosalba, salvo melhor juízo, é fruto de uma espécie de "coaligação de interesses" formalizada com finalidade específica: primeiro salvar (renovar) o mandato de Senador de José Agripino (DEM) e, depois, idem para o Senador Garibaldi Filho (PMDB). Feito isto, a outra prioridade, igualmente alcançada, foi a eleição de Rosalba.

Acontece que em eleições tipo as engendradas no nosso velho e bravio Rio Grande do Norte, no ano passado (2010), o leque de apoiadores e interesses foi (e ainda o é) algo tão diverso (pervertido, mesmo!) que a posterior 'partilha do bolo', torna-se, inevitavelmente, em algo dificílimo de ser concretizado. Eis porque, mesmo a contragosto, o gosto travoso dos frutos advindos do 'pleito' é sentido pelo governante mor.

Cada município tem suas próprias peculiaridades; algumas, aliás, muito interessantes: em determinados municípios, as duas lideranças políticas (raramente existem três) apoiaram a governadora Rosalba Ciarlini e, por isso, desejam, cada uma delas, a maioria dos cargos. E ai, governadora, o que fazer? Uma decisão 'salomônica', em determinadas situações, talvez venha (bem) a calhar. Mas, como seria? Simples: quando um determinado cargo estiver sob ferrenha disputa entre duas lideranças de um determinado município, a governadora poderia convocá-las e, sem titubear dizer: já que vocês não chegam a um consenso de quem deve ficar com o cargo, eu vou extingüí-lo! Aquele que, diante da ameaça, abrir mão do cargo, deve ser o beneficiado com a indicação.

Tudo isso nos mostra uma realidade indiscutível: o sistema de ocupação dos cargos e funções da Administração Pública no Brasil está falido. Em nível federal, por exemplo, a preocupação maior daqueles que 'indicam' os ocupantes de determinados postos, é exatamente o orçamento que vão (eles que indicaram) administrar. Nos estados, a 'briga' é, via de regra, por espaços que possam projetem quem indica o ocupante do cargo; já nos municípios, salvo uma meia dúzia de aquinhoados, sequer existem cargos...

Salvo os cargos demissíveis ad nutum, considerados como de primeiro e segundo escalões, entendo e defendo que todo cargo ou função da Administração Pública, em qualquer dos seus níveis (federal, estadual e municipal) deve ser preenchido, obrigatoriamente, por funcionário do quadro efetivo, preferencialmente, por pessoa do próprio órgão. 

Pode até não resolver o problema de acomodação, mas, certamente, deixará os administrados menos perplexos com a maioria dos atos da lavra dos administradores, levados a efeito no início de toda administração. 


Herbert Mota
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5 comentários:

Anônimo disse...

Meu caro blogueiro, a governadora sequer esquentou a cadeira... pega leve!

Anônimo disse...

Caro amigo Herbert. Você, como bom músico que é, sabe que, às vezes, um grande compositor é questionado sobre 'qual música que você gostaria de ter composta que não faça parte de seu repertório', não é mesmo? Então esse artigo que você escreveu, eu gostaria de tê-lo escrito. Parabens! Está dito o que muita gente gostaria de falar. Togo Ferrário.

Herbert Mota disse...

Caro Togo, a tua colocação é, como de praxe, pertinente. Agradeço. Na realidade não se trata de ataque à governadora. Não. Ao contrário, relato tão somente o meu pensamento diante de uma inércia do governo que, salvo melhor juízo, poderá agravar ainda mais a situação de dificuldades no nosso bravio RN...

Rui Nascimento disse...

Dr. Herbert, todos os norteriograndenses aguardam com muita ansiedade que Rosalba saia da prefeitura de Mossoró, deixe Fafá terminar (e começou?) seu (des)governo, “tire” Wilma e Iberê do comando do Estado e, finalmente, assuma o posto que lhe foi confiado pelo povo do RN. Mas ao que parece a "Rosa" ainda não percebeu que a eleição passou, ela ganhou e que o povo precisa de um governo para dar destino ao RN. Essa conversa mole de ficar o tempo todo apontando erros e acusando seus antecessores disso e daquilo, parece mais conversa de quem não tem plano para governar. Vamos “Rosa”, afinal, daqui da prefeitura de Mossoró para a governadoria são apenas 280 km. Parece até que a Srª está indo de jegue! Se tiver muitas dificuldades peça ajuda a uma certa Borboleta que ainda está “voando” desde 2008, na capital. Ou então recorra a alguns azulados da “Metrópole do Futuro”! Eles poderão lhe socorrer. Afinal, segundo o discurso (fraquinho) de sua correligionária e prefeita (de direito) Fafá, ontem na abertura dos trabalhos legislativos nesta “província”, logo, logo mudaremos de “fase”, ou seja, deixaremos de ser “metrópole” e passaremos a “Megalópole do Futuro”. Paris que se cuide! Mas... “Quando o inverno chegar, eu quero...”

Herbert Mota disse...

Rui, obrigado pelo sereno comentário, que, aliás, enriquece a nossa postagem.