15 dezembro 2010

CONVERSANDO COM FRANCISCO CARLOS CARVALHO MELO.

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Inicamos hoje uma série de entrevistas com nomes que dispontam como prováveis candidatos ao cargo de prefeito de Mossoró, RN, nas eleições de 2012. O primeiro entrevistado é o professor e atual Secretário da Cidadania do município de Mossoró, Francisco Carlos Carvalho Melo (foto). O conteúdo de sua entrevista exclusiva para este blog, está postado sem cortes ou retoques.
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1. Primeiro, gostaria que o Sr. fizesse um breve resumo do seu currículum.
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Sou mossoroense nascido e criado na Boa Vista, em um pedacinho da Francisco Bernardo conhecido como Alto do Mocó. Tenho Orgulho disso, Herbert. Estudei no Educandário Pres. Kennedy, nas escolas Moreira Dias, Eliseu Viana e Abel Coelho, com uma passagem rápida pelo Colégio Diocesano, no final do ensino médio. Trabalho na saúde municipal há mais de 20 anos, onde fui despachador de remédio, almoxarife, ch. do depart. de materiais, ch. do depart. de orçamento e finanças, Dir. administrativo e, por fim, secretário. Cursei Administração de Empresas e o mestrado em Desenvolvimento e Meio Ambiente pela UERN, onde tenho a honra de ser professor no depart. De Economia desde 1994. Na UERN, ocupei o Centro de Estudos de Desenvolvimento e Meio Ambiente – CEMAD, a chefia do Depart. de Economia e a Assessoria de Planejamento, de onde sai para participar da organização do Programa de Governo de Fafá em 2004.
  
2. Como o Sr. analisa a inserção da UERN no contexto social, econômico do nosso estado e, particularmente, da região oeste?
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Não possível pensar o desenvolvimento do RN sem inserir a UERN em seu contexto. Nossa universidade é uma das maiores construções dos mossoroenses e  está presente em quase todos os municípios potiguares, tendo formado milhares de jovens em seus 40 anos de existência. A formação de profissionais/cidadãos e produção e reprodução do conhecimento representa uma contribuição social inestimável para o desenvolvimento de todo o Estado. A UERN forma profissionais e cidadãos em dezenas de áreas do conhecimento. Presta serviços diretos e indiretos para empresas e instituições públicas e empresta pessoal do seu quadro docente e técnico-administrativo para ocuparem a direção de órgãos públicos e privados. 
A UERN, contudo, precisa ampliar sua capilaridade social.

3. Qual a sua avaliação acerca da atual administração da UERN, sob o comando do professor Milton Maques de Medeiros?
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Para avaliar uma gestão é preciso considerar o ambiente político-institucional no qual ela está inserida. A UERN passa por um momento importante de reafirmação do seu papel de agente indutor e produtor de conhecimento e, por conseguinte, do desenvolvimento. Depois de uma necessária fase de expansão, a UERN precisa apresentar melhoria contínua no seu processo de formação/qualificação. Precisa ampliar a pós-graduação e melhorar sua relação com o setor privado. Não deve ser fácil administrar uma instituição desse porte em um Estado pobre, onde nem sempre a educacional é prioridade máxima. A UERN precisa de mais financiamento para investir em qualidade do ensino. A UERN está no caminho certo. Ela possui quadros qualificados. Está ampliando bastante o número de mestres e doutores e se prepara para implantar cursos de pós-graduação stricto senso. Com isso, teremos mais pesquisa e conhecimento novo. Acho que Milton Marques está realizando um bom trabalho e, certamente, ao final do seu reitorado, poderá apresentar os resultados que a sociedade espera e que ele tem capacidade de oferecer, pois é um homem empreendedor de boa formação e elevado espírito público.  
 
4. O Sr. ocupa uma das principais pastas da Administração Pública do Município de Mossoró, no caso a da Cidadania. Como tem sido a sua relação com os demais Secretários e Gerentes?
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Uma relação muito boa, mesmo que isso não signifique a ausência de posições divergentes em alguns momentos, o que é muito salutar. No ambiente da Secretaria da Cidadania, tenho a honra de trabalhar com excelentes gerentes, pessoas preparadas e amigos de todas as horas. 
 
5. Como o Sr. analisa a sua experiência acadêmica transportada
para a Administração Pública?
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È comum afirmamos que, na prática a teoria é outra. No entanto, tive o privilégio de poder aplicar minha experiência acadêmica e aquilo que aprendi com os meus colegas professores em diversos momentos. Na verdade, a minha formação sempre orienta as minhas práticas de gestão. Os dois programas de governo da Prefeita Fafá Rosado, cuja elaboração eu coordenei, sob a presidência da Prefeita, estão repletos de influências da minha formação e da minha experiência acadêmica. São exemplos disso: O fortalecimento do controle social, a administração para resultados (que rendeu vários prêmios para a gestão) e a incorporação de técnicas de planejamento e avaliação nas áreas de saúde e educação.  
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6. É fato, até certo ponto natural, que em toda administração existe uma pessoa (ocupante de cargo ou não) que exerce uma grande influência nas decisões de poder. Quem desempenha esta função na atual administração do município de Mossoró?
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Tenho acompanhado a gestão municipal de perto nos últimos seis anos e tenho visto essa função ser ocupada por diversas pessoas, dependendo do tema e do momento. È bom que seja assim. Agora, é obvio que uma gestão precisa de condutores mais específicos, que tenham uma visão mais ampla dos processos políticos e administrativos. No nosso caso, esse trabalho é exercido, além da própria prefeita, por Carlos Augusto, Dr. Leonardo, Noguchi e Gustavo Rosado.
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7. Nos últimos tempos, as relações entre o Poder Executivo local e considerável número de integrantes do Poder Legislativo têm sido divulgadas por setores da imprensa, sob a condição de indigestas para ambos os lados. Como o Sr. analisa a situação?
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Sem dúvida isso traz prejuízos para os dois poderes e, por extensão, pode trazer prejuízos para a sociedade, mesmo que isso ainda não tenha sido constatado. Mas, acho que esse momento faz parte do processo democrático e devemos aceitá-lo, mesmo que nos desagrade.Com civilidade e respeito o resultado desse momento implicará no fortalecimento das instituições. Naturalmente, uma cidade como Mossoró, cujos avanços sociais e econômicos são visíveis e significativos, precisa saber produzir um bom debate sobre temas relevantes, sobretudo para o futuro da cidade. Qualquer coisa diferente disso é perda de tempo e energia. E, quando digo isso, não estou me referindo apenas as poderes executivo e legislativo. Nesse momento em que a cidade mais se desenvolve, precisamos direcionar nosso olhar para o futuro. Precisamos nos afastar do cotidiano provinciano, que fica cada vez mais distante, para debatermos o que realmente interessa.
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8. O atual presidente da Câmara Municipal de Mossoró, vereador Claudionor dos Santos, tentou permanecer no cargo por mais dois anos e, através de uma manobra meio atabalhoada, antecipou a eleição da futura  Mesa Diretora daquela casa, mas saiu na condição de derrotado. O caso encontra-se sob análise perante o Poder Judiciário que confirmará (ou não) a validade da eleição levada a efeito. Caso venha a ocorrer uma nova eleição, o Poder Executivo interferirá para eleger um nome vinculado ao Palácio da Resistência? Por quê?  

Não sou condutor do projeto político do nosso grupo. Não tenha propriedade para responder a essa pergunta. Contudo, posso dizer que é muito comum que o executivo demonstre interesse pelos assuntos do legislativo. Isso acontece no cenário nacional, estadual e municipal, no Brasil e em qualquer parte do mundo. Geralmente, quando se fala em sucessão na Câmara Federal, por exemplo,  fala-se também dos interesses e preferências do presidente da república e dos partidos aliados de maneira muito natural. Isso acontece porque o poder executivo precisa de governabilidade e de condições para executar o programa de governo que foi aprovado nas urnas. 

9. Recentemente parte da imprensa mossoroense divulgou uma notícia dando conta sua possível candidatura a prefeito de Mossoró? O Sr. confirma?
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Ninguém é candidato de si mesmo. Um candidato é feito pela vontade popular e/ou pela convergência de interesses partidários. Fico feliz que meu nome esteja sendo lembrado, porque vejo nisso um reflexo do trabalho que estamos realizando nas áreas de educação, cultura, saúde, esporte e assistência social. No entanto, pelos motivos já expostos, devemos continuar trabalhando e esperar pelo futuro, sem ansiedade.
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10. Digamos que o Sr. venha a ser o nome indicado pelo Palácio da Resistência para disputar a prefeitura de Mossoró. Neste caso, como o Sr. vê a possibilidade de o grupo da Governadora eleita, atual senadora Rosalba Ciarlini, vir a apoiar o seu nome?
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Como homem de grupo, tudo o que tenho feito é para o bem da cidade e o fortalecimento do nosso grupo político. Creio que, qualquer decisão em termos de nomes, que ainda tem muito tempo até que seja definido, será em comum acordo e com apoio dos nossos líderes políticos.  
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11. Quais os principais desafios (problemas) de Mossoró, e de que forma a atual Administração vem enfrentando-os?
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Estamos no melhor momento de desenvolvimento dos últimos 40 anos. Isso é resultado do esforço coletivo. Mas, com honestidade de propósito, não é possível desconsiderar a participação da prefeita Fafá Rosado. Foi e está sendo feito muito. Porém, é certo que ainda temos muitos desafios. Vamos citar apenas quatro deles: Ampliação da infra-estrutura viária. Muitos investimentos foram ou estão sendo executados, com recursos próprios ou dos governos estadual e federal, mas sempre por projetos idealizados e elaborados pela prefeitura. Precisamos ainda da duplicação da Av. Francisco Mota, da Ponte da Resistência (ligando o Vingt Rosado às Barrocas), da estrada do Camarão e do Sal (ligando Passagem de Pedras à saída para Fortaleza), a Avenida Universitária, entre outros. Com o avanço do saneamento básico da cidade, a despoluição do Rio Mossoró começa a ser possível. Até o final do mandato de Fafá, a cidade estará 80% saneada. Precisaremos, ainda, de um projeto de longo prazo para aquele corpo d´água. A cidade precisa resolver a questão do abastecimento de água. A Prefeitura está, dentro dos seus limites legais, atuando para que a CAERN cumpra sua função social. Precisamos de uma maternidade pública. O projeto requer elevado investimento, porém, o primeiro passo já foi dado através de emendas parlamentares. A iniciativa e o projeto será da prefeitura, em parceria com a UERN.
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12. Existe uma disputa sob o crivo do Poder Judiciário, envolvendo o Município de Mossoró e o SINDSERPUM (Sindicato dos Servidores Públicos do Município de Mossoró), acerca dos depósitos do FGTS (Fundo de Garantia Por Tempo de Serviço) de considerável parcela do funcionalismo, cujo montante, segundo o órgão representativo da classe, está estimado em cerca de 35 milhões de reais. Como o Sr. vê essa questão e quando o Município de Mossoró pretende dar cumprimento  à determinação do Judiciário?
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Não tenho conhecimento de causa suficiente. Porém, considerando os valores envolvidos, provavelmente, a prefeitura terá que enquadrar a dívida como precatório e, ainda, não houve determinação nesse sentido por parte da justiça. Feito isso, o erário público terá que estabelecer um cronograma e, principalmente, viabilizar as condições para quitação do débito.
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13. De que maneira a Administração Pública vem contribuindo para Mossoró chegar no patamar de 'metrópole'?
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Esse momento é resultado do esforço coletivo de toda a sociedade mossoroense e das condições de mercado. Não tem DNA específico. Contudo, a administração municipal contribui e está contribuindo decisivamente para esse momento. Para constar isso, bastaria responder a seguinte perguntar: Quantos dos grandes projetos executados ou em execução na cidade de Mossoró não receberam apoio direto ou indireto da administração municipal? Pouquíssimos! Vamos citar alguns exemplos: 
1)    Expansão da malha viária permitiu a realização de muitos dos atuais investimentos privados: todos os projetos executados ou em execução são da prefeitura municipal. As idéias para os próximos já estão lançadas.
2)    O crescimento do setor imobiliário foi possível devido a expansão do saneamento básico. Os recursos são federais, viabilizados por emendas parlamentares, sobretudo de Betinho Rosado – que faz parte do nosso grupo político, e os projetos foram elaborados e executados pela prefeitura.
3)    O pólo cerâmico começou devido ao programa de atração de investimentos da prefeitura, depois chegou outros apoios.
4)    Todo o setor de expansão urbana da avenida João da Escócia se deve ao investimento estruturante realizado pela prefeitura.
5)    A expansão do setor educacional privado recebeu apoio da prefeitura. Vamos citar apenas um exemplo: o Pró-superior, uma idéia trabalhada pela Secretaria da Cidadania que permitir a reversão de impostos na forma de bolsa de estudo.
6)    O marketing econômico da cidade é feito pela prefeitura. Isso atrai olhares e, por conseguinte, a atenção dos investidores.
7)    Todos os principais equipamentos públicos que reforça a atual condição da cidade são projetos da prefeitura: As unidades de pronto atendimento, o memorial da resistência, praça da convivência, teatro municipal, ginásio de esportes, Mossoró Cidade Junina (que permite a maior taxa de ocupação da rede hoteleira.
8)    As conquistas já alcançadas permitiram o selo UNICEF por duas vezes, o prêmio Prefeito Amigo da Criança, a boa posição no ranking de desenvolvimento da FGV, FIRJAN, Ministérios da Saúde e Educação, entre outros.
Esses resultados dependem fundamentalmente da atuação do poder público municipal.
A cidade melhorou muitos seus indicadores sociais(é pelos indicadores que se avalia a qualidade de um trabalho. Não pelo “olhômetro”.
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14. Como o Sr. vê a eleição de Dilma Rousseff, cujo sucesso se deu no esteio da popularidade do presidente Lula, em face dos grandes desafios a nível nacional?
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Vejo com naturalidade. A eleição de Dilma Rousseff faz parte de um projeto de poder do Partido dos Trabalhadores. A popularidade de Lula para a eleição de Dilma foi uma condição necessária para o sucesso. Não se deve, contudo, minimizar os méritos da presidente eleita. Sua história de vida e seu preparo técnico certamente contribuíram para o resultado eleitoral.Além dos mais, o sucesso de governo de Lula é resultado, também, do trabalho de Dilma. Resta aguardar. Ela tem qualidades e equipe para governar. Desejo sucesso. 
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15. Suas considerações finais...
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Agradeço a você Herbert pela espaço concedido. Você é uma pessoa digna e conceituada. Poder dialogar com você e, por extensão, com seus leitores é um privilégio. Estou a disposição para quaisquer esclarecimentos adicionais.
Muito obrigado. 
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Um comentário:

Anônimo disse...

Como servidor, digo que a entrevista é oportuna uma vez que o professor Francisco Carlos é uma pessoa de altíssima competência. Se for escolhido como candidato a prefeito de Mossoró, o que espero, tem amplas chances de vitória...