09 novembro 2010

SOMOS O QUE SOMOS: NORDESTINOS.

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SOMOS O QUE SOMOS: NORDESTINOS.
(Por Bernadete Cavalcante - Jornalista)
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A vitória da candidata Dilma Rousseff, como a primeira mulher presidenta do Brasil, trouxe à tona a cólera e o pensamento equivocado de parte da juventude do sudeste do país, reeditando o barrismo entre regiões e estados, infelizmente ainda presente no Brasil.
Mas, o que esses "jovens" não conseguem enxergar é que não existe fronteiras, nem entre regiões, nem entre nações, nem entre povos, tanto é que a ciência já provou que a terra é redonda. E onde está a fronteira de terra ?
O nordeste brasileiro, ao contrário do sudeste maravilha, que, muitas vezes, num conceito equivocado alguns intitulam de sul maravilha ( quando o sul não está composto pelos estados do Rio de Janeiro e/ou São Paulo) sempre se postou no Brasil, como se o país fosse um trem e o estado de São Paulo se constituisse no "carro-chefe" puxando os demais, como vagões de cargas.
E é assim que essa "menina pequeno burguesa" como diria uma amiga, ou "emergente", na linguagem de Hildegard Angel, ou mesmo "pobre, mas se achando", na linguagem vulgar, enxerga o seu estado com relações aos estados do nordeste.
Talvez, por não saber que o sal que tempera o seu alimento, todos dias, sai do meu estado, que fica no nordeste, é que ela tenha tido esse "destempêro" como dizemos, em nordestinês, quando alguém sofre um "ataque de raiva" ou fica desesperado, como foi o caso.
Mayara, com Y, cujo nome inclui uma letra quem nem pertencia ao alfabeto portugues, quando do seu nascimento, nada mais é que uma "pobre" moça desprovida, dentre outros princípios, de um que considero fundamental: respeito ao próximo.
Nem vou me deter a democracia, nem ao que diz a nossa Constituição com relação aos direitos fundamentais.
Infelizmente, Mayara Petruso não está sozinha neste universo da xenofobia. E sem me sentir ferida pelo seu preconceito, analfabetismo político e até gramatical ( já que a palavra "nordestino" ela se quer conseguiu escrever direito), eu diria que se tivesse que me sentir envergonhada com a região onde nasci e onde vivo, só sentiria se essa moça fosse minha conterrânea, o que, felizmente, não é o caso.
Mayara, com Y , vive ( será que nasceu mesmo lá ?) no estado e na capital mais rica: São Paulo. São Paulo do tiête poluído, da cracolândia, de eleitores letrados e "independentes de Programas como Bolsa Família", que já levaram repetidas vezes ao poder, homens como o Paulo Maluf, por exemplo.
Mayara, com Y, certamente não lê Jorge Amado, tampouco Rachel de Queiroz, que dirá Ariano Suassuna e suas obras geniais. Eles são nordestinos.
Será que Mayara consegue enxergar talento em José Dumont, e entender o enredo do filme "O homem que virou suco" um dos mais belos do cinema nacional ?
Acredito que ela seja incapaz de "suspirar" por Wagner Moura, outro talento exportado do nordeste, uma beldade desejada por dez entre dez mulheres heterossexuais.
Escutar e entender a música de Luiz Gonzaga, apreciar a beleza poética de Alceu Valença, Nando Cordel, Lenine, Chico César, Fagner, Ednardo, Belchior, Zé Ramalho, Elba, Alcione ou o maravilhoso Dominguinhos (esse último eleitor declarado de Serra, e nem por isso menos digno ou menos genial para nós, eleitores de Dilma) nem pensar , não é Mayara?
Afinal essa turma é de "paraíbas" como alguns "nominam" os nordestinos, querendo dar uma forma ainda mais pejorativa a todos nós.
Mayara com Y, deve ter o paladar refinado, acostumado a "pizza e lasanha" culinária herdada dos imigrantes europeus, portanto jamais se renderia ao sabor de um baião de dois, um escondidinho, uma farofa d'água com carne de sol. Provar uma macaxeira frita, seria como experimentar veneno, afinal a cozinha nordestina deve ter para ela o mesmo gosto do povo: "amargo e desprezível".
Mayara será incapaz de discutir qualquer coisa relacionada a segunda-guerra mundial, só para não ter que lembrar que foi no nordeste (mais precisamente no Rio Grande do Norte, que manda hoje para o mundo, sal, frutas e camarão, sem falar em petróleo) por exemplo, que se instalou a base aliada.
Voar então, para exterior, de jeito nenhum, não é Mayara? Afinal os vôos em direção a Europa, por exemplo, entram e saem do país pelo nordeste, em função da nossa proximidade geográfica com aquele continente. Pois, mesmo no ar, correria o risco de alguma contaminação "nosdestínica".Inclusive setar-se ao lado de algum "paraíba" por pelo menos sete horas seguidas de viagem.
Mayara, como advogada e para ser contratada, certamente terá dentre os seus critérios "éticos" , um considerado promordial, ante o seu pensamento a cerca de "nós", os nordestinos: "Só aceito casos, que envolvam nordestinos, se for para acusa-los, pois "esse povo" não é digno de defesa".
Certamente, Mayara não está só, nem nesse momento em que o mundo parece cair sobre a sua cabeça, nem no futuro. O seu pai, segundo soube, teria pedido desculpas pela ignorância da filha.
A estudante de direito, que diferente dos nordestinos não pode ser classificada como "antes de tudo um(a) forte", pois já fugiu do Twitter. Todavia, tem outros refúgios que podem abrigá-la, recebendo-a inclusive com tapete vermelho na sua entrada triunfal: os movimentos xenofóbos do Brasil. Esses, certamente se orgulhariam em tê-la, mais ativamente, nos seus quadros.
Mas, posso assegurar que nós, nordestinos/eleitores de Dilma Roussef, ao contrário do que Mayara pensa, estamos orgulhosos da grande contribuição que demos para que o país continue crescendo.
E temos a convicção de que fizemos o nosso melhor. E, se por acaso formos decepcionados com o governo Dilma, o que certamente não ocorrerá, teremos errado por acreditar que estavámos acertando, não apenas pelos nove estados que compõe essa região, mas por toda a federação e todos os brasileiros, inclusive por Mayara e os demais que, equivocadamente, pensem como ela.
Por fim, é dizer que somos o que somos: Nordestinos.
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