15 julho 2010

DESOMENAGEM A ALUÍZIO ALVES.

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Tramita na comissão de Educação da Câmara Federal um projeto que patrocina injustiça e fere a memória recente do Rio Grande do Norte. Apresentada ali pela deputada federal Fátima Bezerra (PT-RN), ela promove uma desomenagem ao legendário jornalista, deputado, governador e ministro Aluizio Alves, sem dúvida, ao lado de Amaro Cavalcanti um dos norte-rio-grandenses que mais e melhor se projetaram na política nacional.

Por iniciativa da própria Fátima, a casa parlamentar, a mesma em que Aluizio desembarcou ainda rapazinho, forçando sem pretendê-lo a Assembléia Nacional Constituinte a reabrir em 1.947 matéria vencida quanto à idade mínima para a eleição como deputado federal, porque contava apenas 23 anos, quando o aprovado seriam 24, o havia escolhido como patrono do “campus” avançado que a Universidade Federal Rural do Semi Árido (Ufersa) está implantando em Angicos.

Vem a ser, como ensina o hino histórico da campanha em que Aluizio conquistou o governo do Estado, aos 41 anos, em 1.960, a cidade natal do homenageado.

A mesma Fátima, porém, apresentou mais recentemente proposta no sentido de se arrancar do pórtico o nome de Aluizio e substituí-lo pelo do educador Paulo Freire, um dos educadores que mais ofereceram ao mundo no século passado e cuja projeção internacional deve muito a uma experiência realizada no início dos anos sessenta em Angicos. Governador do Rio Grande do Norte, Aluizio viabilizou a primeira aplicação prática do método Paulo Freire de alfabetização de Angicos exatamente em seu município.

O novo gesto de Fátima provocou reação entre os familiares de Aluizio, à frente o deputado federal Henrique Eduardo Alves, presidente regional e líder do PMDB na câmara e um dos interlocutores de maior prestígio junto ao presidente Lula da Silva. Também candidato à reeleição, Henrique já mostrou a Fátima e a outros integrantes da comissão o desapontamento e a frustração que a substituição provocaria em Angicos, onde muitos concidadãos ainda guardam fotografias de Aluizio e lembram da precocidade com que, menino, fazia circular o primeiro jornal do município, periódico datilografado de apenas um exemplar que era lido e passava de mão em mão.

Ao tomar conhecimento da reação, Fátima explicou que a designação de Paulo Freire atenderia a uma solicitação do conselho universitário da Ufersa, que atua em Mossoró, e propôs uma emenda pior do que o soneto. Segundo ela, poder-se-ia corrigir a situação em relação a Aluizio aplicando o nome deste ao prédio da administração central do “campus”.

Não haveria nenhuma injustiça ou diminuição a Paulo Freire caso ele, e não Aluizio, viesse a ser transformado em patrono do edifício.
(Por Roberto Guedes - jornalista)
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2 comentários:

genildo disse...

Amigo e parceiro,para travar esssa luta de propor ao nosso universo de província uma literatura pautada na realidade e na experiência do cotidiano das terras de Grossos e Areia Branca não poderia te deixar ausente.Sou teu admirador e vc me faz dizer com entusiasmo que para aprender com o anonimato se faz necessário a construção do abraço sincero como porto seguro.

Genildo Costa
Cantador

Herbert Mota disse...

Genildo Costa, grande poeta e cantador, divulgar a sua arte, no meu caso, é um dever... sucesso, caro amigo.