04 maio 2010

A ESCOLHA DE SOFIA

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"O maior castigo para aqueles que não se interessam por política, é que serão governados pelos que se interessam."
(Arnold Toynbee)

Como você sabe, a escolha de Sofia é a história de uma mãe judia no campo de concentração nazista de Auschwitz, que é forçada por um soldado alemão a escolher entre o filho e a filha - qual será executado e qual será poupado. Se ela se recusasse a escolher, os dois seriam mortos. Ela escolhe o menino, que é mais forte e tem mais chances de sobreviver, porém nunca mais tem notícias dele.

A questão é tão terrível que o título se converteu em sinônimo de decisão quase impossível de ser tomada.

Envio para você um artigo escrito em final de 2009 pelo economista Rodrigo Constantino. Autor de 5 livros. Escreve a coluna "Eu e Investimentos" do jornal Valor Econômico. É também colunista do jornal O Globo. Membro-fundador do Instituto Millenium. Vencedor do prêmio Libertas em 2009, no XII Forum da Liberdade. Seu curriculum vai muito além, é extenso e respeitável. Segue seu artigo:

"SERRA OU DILMA? A ESCOLHA DE SOFIA."
(por Rodrigo Constantino)

"Tudo que é preciso para o triunfo do mal é que as pessoas de bem nada façam" (Edmund Burke)

Agora praticamente é oficial: José Serra e Dilma Rousseff são as duas opções viáveis nas próximas eleições. Em quem votar? Esse é um artigo que eu não gostaria de ter que escrever, mas me sinto na obrigação de fazê-lo.

Os antigos atenienses tinham razão ao dizerem que assumir qualquer lado é melhor do que não assumir nenhum?

Mas existem momentos tão delicados e extremos, onde o que resta das liberdades individuais está pendurado por um fio, que talvez essa postura idealista e de longo prazo não seja razoável. Será que não valeria a pena ter fechado o nariz e eliminado o Partido dos Trabalhadores Nacional - Socialista em 1933 na Alemanha, antes que Hitler pudesse chegar ao poder? Será que o fim de eliminar Hugo Chávez justificaria o meio deplorável de eleger um candidato horrível, mas menos louco e autoritário? São questões filosóficas complexas. Confesso ficar angustiado quando penso nisso.

Voltando à realidade brasileira, temos um verdadeiro monopólio da esquerda na política nacional. PT e PSDB cada vez mais se parecem. Mas existem algumas diferenças importantes também. O PT tem mais ranço ideológico, mais sede pelo poder absoluto, mais disposição para adotar quaisquer meios os mais abjetos para tal meta. O PSDB parece ter mais limites éticos quanto a isso O PT associou-se aos mais nefastos ditadores, defende abertamente grupos terroristas, carrega em seu âmago o DNA socialista. O PSDB não chega a tanto.

Além disso, há um fator relevante de curto prazo: o governo Lula aparelhou a máquina estatal toda, desde os três poderes, passando pelo Itamaraty, STF, Polícia Federal, as ONGs, as estatais, as agências reguladoras, tudo! O projeto de poder do PT é aquele seguido por Chávez na Venezuela, Evo Morales na Bolívia, Rafael Correa no Equador, enfim, todos os comparsas do Foro de São Paulo.
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Se o avanço rumo ao socialismo não foi maior no Brasil, isso se deve aos freios institucionais, mais sólidos aqui, e não ao desejo do próprio governo. A simbiose entre Estado e governo na gestão Lula foi enorme O estrago será duradouro. Mas quanto antes for abortado, melhor será: haverá menos sofrimento no processo de ajuste.

Justamente por isso acredito que os liberais devem olhar para este aspecto fundamental, e ignorar um pouco as semelhanças entre Serra e Dilma. Uma continuação da gestão petista através de Dilma é um tiro certo rumo ao pior.

Dilma é tão autoritária ou mais que Serra, com o agravante de ter sido uma terrorista na juventude comunista, lutando não contra a ditadura, mas sim por outra ainda pior, aquela existente em Cuba ainda hoje. Ela nunca se arrependeu de seu passado vergonhoso; pelo contrário, sente orgulho. Seu grupo Colina planejou diversos assaltos. Como anular o voto sabendo que esta senhora poderá ser nossa próxima presidente?! Como virar a cara sabendo que isso pode significar passos mais acelerados em direção ao socialismo bolivariano?

Entendo que para os defensores da liberdade individual, escolher entre Dilma e Serra é como uma escolha de Sofia.Anular o voto, desta vez, pode significar o triunfo definitivo do mal. Em vez de soco na cara ou no estômago, podemos acabar com um tiro na nuca.

Dito isso, assumo que votarei em Serra, Meu voto é anti-PT acima de qualquer coisa. Meu voto é contra o Lula, contra o Chávez, que já declarou abertamente apoio a Dilma. Meu voto não é a favor de Serra. E, no dia seguinte da eleição, já serei um crítico tão duro ao governo Serra como sou hoje ao governo Lula. Mas, antes é preciso retirar a corja que está no poder Antes é preciso desarmar a quadrilha que tomou conta de Brasília. Só o desaparelhamento de petistas do Estado já seria um ganho para a liberdade, ainda que momentâneo.

Respeito meus colegas liberais que discordam de mim e pretendem anular o voto. Mas espero ter sido convicente de que o momento pede um pacto temporário com a barbárie, como única chance de salvar o que resta da civilização - o que não é muito, mas é o que hoje devemos e podemos fazer!
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Enviado por Marcelo Motta Abreu - Macaé, RJ
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5 comentários:

Rui Nascimento disse...

Sendo colunista de onde é não precisa dizer mais nada. Seria difícil imaginar outra, que não esta a opinião desse imbecil preconceituoso. Pro inferno com suas idéias reacionárias, dignas de uma cria da ditadura. Repito: seria no mínimo inocência imaginar que um pelego da “odisséia desvairada”, da “vênus platinada”, da GLOBOSTA, teria um conceito diferente e não menos preconceituoso a respeito de alguém que se apresenta ao povo ainda como pré-candidata, e, aos olhos da maioria não combina em nada com os adjetivos e conduta a ela “rotulados”. Talvez o grande defeito dela, foi ter lutado fervorosamente contra o que esse excremento de ditadura, disfarçadamente defende. Direito de votar em quem quiser essa coisa abjeta tem, o que ele não tem é o direito vil de querer jogar na lama um passado de luta em defesa de seus ideais como o da pessoa a quem esse aprendiz de Pinochet se refere, com o pretexto de defender seu ponto de vista sórdido e ultrapassado.
Com tamanho desrespeito, arrogância e prepotência, esse ser desprezível parece estar no mais completo despreparo para fazer qualquer análise a respeito de uma cidadã brasileira que sentiu na pele a fúria e o ódio de um período sombrio e de trevas do qual teve submetido nosso povo e do qual parece comungar o pensamento desse idiota, imbecil, reles, nauseabundo.

“Respeito meus colegas liberais que discordam de mim e pretendem anular o voto. Mas espero ter sido convincente de que o momento pede um pacto temporário com a barbárie, como única chance de salvar o que resta da civilização - o que não é muito, mas é o que hoje devemos e podemos fazer!”

Será que nós estamos falando do mesmo país, ou no trecho acima, o infame interlocutor da Globo e defensor dos opressores refere-se ao AFEGANISTÃO?
O currículo dessa criatura pode ir além de muita coisa e ser extenso, mas deixa de ser respeitável quando o mesmo desrespeita e dá um tapa na cara de grande parcela da sociedade. Não por seu ponto de vista, mas como o expõe, denegrindo a quem se opõe.
Prefiro o BLOG DO PAULO DOIDO, ele é doido, mas só por 2 real.

Herbert Mota disse...

Caro Rui Nascimento, a maior virtude de quem defende um ponto de vista é torná-lo público, preferencialmente, e sem anonimato. Este espaço, embora não tão 'caro' quanto outros que valham R$ 2,00 (dois reais), existe para, democraticamente, dar o devido respeito e guarida às opiniões, mesmo quando não alceiem no seu bojo simetria alguma com o meu pensamento. Obrigado pelo comentário.

Dito Bendito disse...

Carissimo amigo,

sem querer entrar na discussão e em respeito ao autor, afinal opinião é opinião. Ao lê o texto já vi implícito no primeiro parágrafo ( e totalmente explicito nos demais), que o escritor é essencialmente ANTI-PT.
De PROVEITOSO lí apenas o pensamento do economista britânico Arnold Toynbee, citado. Felizmente.
Abraço
Bernadete Cavalcante

Rui Nascimento disse...

Dr. Herbert, como leitor assíduo de seu Blog, gostaria que me fizesse entender que, quando comentei que preferia o blog ao qual me referi, não há relação nem comparação com este. A "ironia" a que me referi foi em relação ao economista de "curriculum extenso e respeitável", autor do artigo do qual fiz o comentário. De minha parte, as desculpas por não ter sido claro com com relação à minha preferência. Outrossim, quero ratificar o respeito e apreço que tenho por este Blog, que também faz parte de minhas leituras diárias.
Abraço,
Rui.

Rui Nascimento disse...

Respeitar opiniões faz parte da boa convivência democrática e eu também respeito às opiniões, apenas me sinto no direito de discordar de algumas, principalmente quando estas, que mais parece um relatório maldoso e direcionado, maculam a imagem de pessoas, que, por uma questão de princípios e ideais são mal entendidas nas suas atitudes e por isso mesmo não podem ser tão descabidamente e imerecidamente desrespeitadas, o que para mim se torna, além de uma simples opinião, demonstra ser uma ofensa. Questões ideológicas ou partidárias não podem servir de motivo, para que se denigra a imagem de quem quer que seja, principalmente quando se percebe a essência do que motiva tais atitudes. Num período não tão distante, nossa sociedade foi usurpada de forma dura e cruel nos seus mínimos direitos civis e democráticos, e hoje, quando ainda damos pequenos passos rumo à consolidação de uma democracia que, diga-se de passagem, ainda engatinha, democracia esta, conseguida ao custo de muitas vidas e à duras penas, mas que esperamos seja irreversível, ainda vemos resquícios daquilo que podemos considerar como o que de mais triste houve na história política desta nação e que deveria servir de exemplo para que jamais retornemos àquele estágio de degradação dos direitos comuns de um cidadão. Talvez seja por isso que no início do texto em discussão tenha o célebre pensamento de Edmund Burke: "Tudo que é preciso para o triunfo do mal é que as pessoas de bem nada façam". Muitos dos que fizeram ou tentaram fazer algo, num momento de profunda perseguição e consequente tortura, foram mal compreendidos e por isso mesmo até hoje, os mal intencionados, disfarçados de democratas os difamam e os tenta jogar na vala comum dos que realmente conspiraram contra o povo e se aproveitaram de benesses obscuras, benesse as quais usufruem até hoje e não satisfeitos tentam ainda de forma covarde, “conspirar” contra os que pensam diferente, usando da força e do poder de desconscientização alienante que têm para menosprezar a inteligência dos que agem com a própria consciência. Esse subterfúgio tá ficando sem graça, ultrapassado e o povo tá começando a compreender isso. A idéia de que “a gente se vê por aqui”, um dia, quem sabe, mudará, então será a vez do próprio povo e não mais os que se acham donos de suas consciências dizer: a gente quer se vê como gente. Para isso é preciso que esse mesmo povo entenda que aquele “BRASIL NUNCA MAIS”.