03 abril 2010

ARTIGO.

DEVOÇÃO, NECESSIDADE OU ESCOLHA ? (Continuação)
(Por Bernadete Cavalcante)
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Bem, voltemos ao tema.

Todos esses candidatos ao Governo não teriam nenhum discurso, para não dizer nenhum “currículo” com programas e projetos encaminhados e implantados em Portalegre que justifique, com propriedade, um apoio incondicional dos eleitores. Uma verbinha insignificante que tenha patrocinado uma festa ou duas, na minha visão, não é argumentação, nem razão, para que elejamos quem quer que seja. Um mandato político, seja executivo ou legislativo, vai, além dessas migalhas que chegam em forma de Emendas, e até ganham notoriedade, quando não mereciam nem ser citadas.

E, salvo a minha ignorância, não conheço de nenhum dos candidatos ao Governo que subirá à Serra em busca do nosso voto, projetos desenvolvidos que possam apontar como iniciativas suas e de relevância para nós. E falo do ponto de vista coletivo, não individual. Todavia, falhas como estas serão, infelizmente, cobertas por quem está na ponta, no município realizando ações diretas ou indiretas para a população, independente da origem dos recursos e de cargos ocupados.

A senadora Rosalba Ciarlini, penso eu, que só veio conhecer Portalegre quando decidiu se candidatar ao Senado, talvez nem soubesse para que lado ficava o lugar, até então. Porém, ela terá, como membro que é do DEM, um grande apoio de um grupo político familiar forte, pois contará com o carisma e o mandato, de 28 anos, do deputado estadual Getúlio Rêgo, o qual se constituirá, na minha opinião, no “carro-chefe" deste “trem de votos” (metaforicamente falando) que ela, por ventura, venha a receber em Portalegre. E se, de quebra, “conquistar” o apoio do prefeito Euclides Pereira (PMDB), que não faz muito tempo manifestou seu desejo pessoal de votar na Senadora para o Governo, também pode atrelar aí, mais um vagão, talvez não tão cheio, de outros tantos votos.
Tudo dependerá dos acordos...
Acordos partidários, é claro!

Na atual conjuntura, não dúvido de nada que possa advir do Prefeito de Portalegre, como não duvido do potencial do DEM no município, aliás, do DEM não, a meu vê, da família Rêgo, mesmo diante de alguns equívocos políticos já cometidos e que lhes fizeram, na minha opinião, experimentar derrotas, quando a vitória parecia a maior de todas as certezas. Mas, a política é como um jogo de pôquer, por mais que se conheçam estratégias para vencer, sempre se acredita numa carta que, ao invés de nos fazer, vencedor, leva à vantagem ao adversário. Mas, cada eleição é um novo momento, uma nova história e esta vindoura pode ser escrita diferente. Ou igual.

No que se refere ao governador Iberê Ferreira (PSB), esse não é tão desconhecido do município, e embora ele talvez não lebre, na década de 1970, quando ele ainda tinha uma cabeleira, jantou algumas vezes na nossa casa, já que fazia parte do antigo MDB, e pedia votos como candidato ao parlamento. Acredito que, no momento atual, ele espera que através dessa aliança com PMDB, possa garantir o seu palanque no município.
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Embora o discurso do Prefeito, que curiosamente é do PMDB, esteja gravado e já tenha sido “transportado” em ondas de rádio (quando ainda nem havia necessidade de manifestação de posição política), seja de desejo de apoiar Rosalba, Iberê tem a seu favor o deputado federal Henrique Alves (esse, mesmo se não for a Portalegre, tem votos cativos) e o ex-deputado estadual, atual diretor do DNOCS Elias Fernandes que, seguramente poderão erguer a “escada” em que Iberê subirá para defender seu próprio nome junto aos portalegrenses. Aliado a ele tem ainda todos os programas sociais do Governo Lula que, indiscutivelmente, existem no município e serão argumentos postos em palanque. E isso, indubitavelmente, favorece qualquer candidato que se diga “candidato do Presidente Lula”.

Quem conhece um pouco da historia política do país, em particular, das eleições de Lula, percebe a diferença de comportamento do eleitor, particularmente em Portalegre, com relação ao “ex” analfabeto, “comunista” (que ele nunca foi), ao sapo barbudo como era “nomeado” o metalúrgico Lula, candidato por três vezes, em quem a maioria não acreditava. Até a minha mãe, e não foi por influência nossa, hoje é eleitora de carteirinha do Presidente, antes nem gostava de Lula. E, nem mesmo eu, com qualquer argumento que lhe apresente hoje, seria capaz de reverter a sua determinação de voto.

Assim, dentro da minha visão “politico-portalegrense” teremos poucos argumentos e muitos contra-argumentos de ambas as candidaturas. Caberá, portanto, aos “líderes” locais a grande tarefa de conduzir à definição o eleitor. Porque, queiramos ou não, a maioria do nosso povo não vota em quem acredita, mas em quem seus líderes partidários os fazem acreditar ou, na pior das hipóteses, os convencem de votar.

Felizmente, ainda há alguns com liberdade de decisão. E eu sou muito feliz por mim mesma, porque voto livremente. Quando sei que, muitas vezes, nem os líderes conseguem fazê-lo.
Tudo é uma questão de escolha. Ou de não ter escolha.
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