08 setembro 2009

- FLAGRANTE DE TRABALHO ESCRAVO EM OBRA DO PAC.

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Era só o que faltava: em operação realizada há dois dias, fiscais “libertaram” 98 trabalhadores submetidos a condições degradantes numa obra do PAC. Trata-se da hidrelétrica de Salto do Rio Verdinho. Está sendo erigida na divisa entre dois municípios goianos: Caçu e Itarumã.

A operação que pilhou o malfeito foi conduzida por uma equipe de fiscais do governo federal e do Ministério Público do Trabalho. O caso vem à luz graças ao repórter Eduardo Scolese. Ele conta que os fiscais guiaram-se por uma denúncia.

Os trabalhadores haviam sido contratos para desmatar e limpar uma fazenda que servirá de reservatório de água da usina. Recrutados por “gatos”, como são chamados os aliciadores de mão-de-obra, começaram a derramar suor na obra em maio passado.

Desde então, não receberam um níquel de salário. Trabalhavam em troca de comida, que era lançada como dívida. Encalacrados com os débitos, eram impedidos de deixar o local da obra. De resto, dormiam em alojamentos precários, sem camas e sem banheiros.

Um cenário típico daquilo que se costuma chamar de condições análogas à de escravidão. Por trás da obra, há um logotipo famoso: Votorantim. Delegara a contratação dos operários à Construtora Lima e Cerávolo, do Piauí.

Descobertos os malfeitos, a Votorantim alegou que os desconhecia. Disse ter rescindido o contrato com a construtora piauiense. A partir daí assumiu toda a responsabilidade: pagou os atrasados dos 98 “escravos” e de outros 30 trabalhadores que reclamavam de salários atrasados. Coisa de R$ 420 mil. Alugou ônibus para devolver a Minas e ao Mato Grosso os trabalhadores que, antes, estavam privados do sagrado direito constitucional de ir e vir.
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A Usina do Salto do Rio Verdinho, como outros empreendimentos do PAC, é tocada à base de tônicos financeiros providos pelo BNDES.

No final de 2008, o bancão oficial despejara na obra R$ 250 milhões. Não fosse pela denúncia, a perversão continuaria viscejando em negócio tido como prioritário e borrifado com verbas oficiais. Diferentemente da Votorantim, que se apressou em dar explicações, a Casa Civil e o Ministério das Minas e Energia, embora procurados, preferiram silenciar.

Fonte: Folha
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