07 outubro 2008

- VEREADORES NÃO REELEITOS ATRIBUEM INSUCESSO À OPERAÇÃO "SAL GROSSO"

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Promotor Eduardo Medeiros - comandou as ações da operação "Sal Grosso"
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A não reeleição de 8 dos 12 vereadores da Câmara Municipal de Mossoró (CMM), que foram candidatos nas eleições 2008, levantou um questionamento: qual a relação da derrota dos parlamentares e a repercussão da "Operação Sal Grosso" que investiga irregularidades que teriam gerado um desvio de R$ 7 milhões nos cofres públicos, entre janeiro de 2005 e setembro do ano passado, onde todos os parlamentares são suspeitos de pelo menos uma irregularidade?
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O procurador geral de Justiça José Augusto Perez acredita que a relação entre os dois fatos não pode ser descartada, mas ressalta que qualquer afirmação nesse sentido ainda é 'mera especulação'. "Eu espero que sim (que tenha relação), (a derrota dos vereadores). Pode ser atribuída a essa informação sim. Na verdade eles não se elegeram porque faltou voto, mas acredito que a população teve um olhar mais crítico depois da 'Sal Grosso'.
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Quero acreditar que esse repúdio parcial aos nomes de políticos corruptos, não só no Rio Grande do Norte, mas em todo o país, seja fruto de uma consciência maior da sociedade sobre os nomes das pessoas que elas querem que administrem suas cidades", comentou o chefe do Ministério Público Estadual (MPE) no Rio Grande do Norte.Para quem perdeu a chance da reeleição, o anúncio feito pelo Ministério Público, de que todos os parlamentares eram suspeitos - mesmo antes de conseguir elementos para denunciar algum deles à Justiça - 'maculou' a imagem de toda a Câmara diante da opinião pública e interferiu no projeto de reeleição.
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"Se (o Ministério Público) houvesse identificado que tipo de crime foi cometido e quem praticou, seria mais lógico. Mas da forma como foi feito, todo mundo se transformou em suspeito. Mas quem me conhece sabe do meu caráter e que sempre prezei pela ética no meu trabalho", disse a vereadora Gilvanda Peixoto (DEM). Ela conseguiu 2.092 votos, mas não foi reeleita.Outro que citou a operação como um dos motivos da não reeleição foi o sargento Osnildo Morais (PSL).
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Com 1.845 votos ele também não conseguiu retornar à Câmara. "A forma como aquilo foi divulgado pode ter influenciado em alguma coisa. Eles (MP) atingiram o objetivo. A divulgação da operação daquela forma foi com a intenção de prejudicar os vereadores. Mas saio de cabeça erguida, e vou provar que não tenho nada a ver com isso", disse.
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Responsável pelas investigações da 'Operação Sal Grosso', o promotor Eduardo Medeiros (foto) não quis comentar o assunto, e alegou: "Não vou comentar assunto político. Minha participação política é como cidadão, no momento em que coloco meu voto na urna", frisou.
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‘Tenho mágoa do presidente’Um dos principais implicados na Operação Sal Grosso, o presidente da Câmara Municipal, vereador Júnior Escóssia (DEM), foi outro que não conseguiu acesso para mais quatro anos no Poder Legislativo. Procurado pelo DE FATO, o vereador não foi encontrado para comentar o assunto.
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É dele que uma de suas colegas parlamentares, que também não conseguiu a reeleição, Izabel Montenegro (PMDB), admite guardar a maior mágoa. "O presidente (Júnior Escóssia) devia ter renunciado (à presidência) para que a gente pudesse abrir as vísceras da Câmara para saber o que estava acontecendo. Como não aconteceu, respingou sobre todo mundo (vereadores). Eu mesma teria analisado tudo isso antes de votar. A operação teve como objetivo macular a imagem da Câmara. Tudo o que a gente fez pela cidade foi encoberto pela 'Sal Grosso'", disse.
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Dos quatro vereadores ouvidos, apenas Manoel Bezerra não citou a Operação Sal Grosso como um dos motivos da derrota nas eleições 2008. "Isso (derrota) é uma coisa natural", disse.
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Os vereadores Arlene de Souza (DEM), Aluízio Feitosa (PDT), Benjamin Machado (PTB) e Júnior Escóssia (DEM) não opinaram sobre o assunto porque não foram localizados.
(Fonte: De Fato)
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Um comentário:

Anônimo disse...

Caro Herbert, na realidade a não reeleição de sete vereadores (Renato Fernandes, sabiamente, concoreu na eleição majoritária) representa um "aviso" da população mossoroense aos novos parlamentares: estamos atentos!