29 setembro 2008

- ARTIGO EXCLUSIVO.

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TUDO PASSA. TUDO FINDA...
(Por Bernadete Cavalcante - Jornalista)
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A nova rodada da Pesquisa TRIBUNA DO NORTE/Consult publicada no último dia 27, que aponta a candidata Micarla de Sousa (PV) vencendo no primeiro turno, me leva a acreditar que a eleição desse ano é ainda menos ideológica e o comportamento da maioria do eleitorado é apenas contrário à administração atual, a qual apóia a candidata Fátima Bezerra (PT), que está em mais uma tentativa de chegar a Prefeitura de Natal, dessa vez carregada numa grande aliança, porém de difícil entendimento.
Desde que foi candidata pela primeira vez, considerei Fátima um excelente nome para administrar Natal, fui por duas vezes sua eleitora, já não sou mais, pois não voto em Natal, porém confio no seu potencial, agora muito mais que antes, a partir do seu trabalho parlamentar, tanto na Assembléia quanto na Câmara Federal. No entanto, para quem não conhece as razões de alianças como essa, dificilmente compreenderá que ela seja a melhor opção, quando é a candidata apoiada pelos seus mais ferrenhos adversários do passado. Sem contar os escândalos que envolvem seus aliados.
Quando leio que a pesquisa diz que o maior eleitorado de Micarla de Sousa está na zona Oeste, onde ela conta com 48,1% dos votos, fico imaginando o quanto a administração desastrosa de Aparecida França, como secretária de saúde do prefeito Carlos Eduardo, por quase seis anos, deve ter contribuído para isso. Vale lembrar que na última eleição a região foi decisiva para a vitória de Carlos Eduardo.
Por quatro anos trabalhei no distrito Sanitário Oeste, vi de perto o sofrimento da população com relação ao atendimento em saúde. A falta de médicos, de exames especializados, de fisioterapia. Até a Maternidade das Quintas foi fechada por que não tinha condições de funcionamento, sem contar a Unidade Básica de Felipe Camarão, com sua reforma a passos de tartaruga, o que gerou até abaixo-assinado da direção e equipe, além da precariedade do atendimento no Pronto Socorro Infantil Sandra Celeste.
E a atenção à saúde mental? Os centros de Atendimento psicossocial, que era referência nacional, pelo o excelente trabalho que um seleto grupo de profissionais realizava? Esse atendimento também foi desmontado em quase sua totalidade. Com a palavra os profissionais da área. Aliás, na gestão Aparecida França as vítimas da saúde não eram apenas os usuários do SUS, nós, trabalhadores, sofríamos o mesmo, fosse pela impotência em ajudá-los, fosse pela nossa própria condição de trabalho. Na sede do Distrito nos faltou, grande parte do período que lá estive, desde uma cadeira decente para sentarmos até energia elétrica que comportasse um ar condicionado e um computador funcionando simultaneamente, sem contar o ambiente insalubre que trabalhávamos. A população passava (ou passa ainda) noites a fio, para ao amanhecer buscar um atendimento especializado, numa disputa onde um único teste ergométrico mensal era oferecido para usuários de 16 unidades.
Posso afirmar que nos quase 20 anos que tenho na Secretaria Municipal de Saúde, jamais vi desastre maior, o que chamam de gestão Aparecida França, eu chamaria de operação desmonte, uma pasta sem planejamento, sem compromisso e, sobretudo carregada de auditorias que atestam à má aplicação do dinheiro público. E em se tratando de gerencia distrital no Oeste, nunca se viu tamanho despreparo administrativo que o atestado nos últimos quatro anos. Com um quadro desses que morador da região acredita que a candidata do prefeito, com quem eles votaram quatro anos atrás, mas que “lhe negou” à assistência básica em saúde é merecedora do voto?
Talvez se o prefeito Carlos Eduardo tivesse confiado menos na capacidade administrativa da sua Secretária de Saúde e olhado mais atentamente para o SUS em Natal, como fez de forma tão competente com outros setores, inclusive indo de encontro a Câmara dos Vereadores, no que se refere à aprovação do Plano Diretor, por exemplo, a condição da sua candidata nas pesquisas, fosse mais saudável. Indiscutivelmente esse ponto é fundamental em qualquer administração, pois a doença traz dor e sofrimento ampliados a toda família e a falta de assistência deixa seqüelas inesquecíveis para toda uma vida. Mas, infelizmente, a saúde nunca é prioridade prática dos gestores, embora seja o primeiro ponto das falas quando esses estão candidatos.
Estamos a uma semana das eleições, particularmente, não acredito na mudança dos números, apenas lamento se mais uma vez os natalenses deixarem passar a oportunidade de experimentar uma administração mais popular. Não quero dizer com isso que Micarla será um desastre se eleita, porque não posso prevê, mas eu diria que a não eleição de Fátima se constituiria exatamente na perda da seriedade, do compromisso, da honestidade que, enquanto política, ela tem demonstrado. Nascida nos movimentos sociais, lapidada na luta sindical, Fátima tem um trajetória “invejável” e certamente faria o seu melhor.
Mas, se as urnas confirmarem as pesquisas, especialmente na zona oeste, eu torço para que os mais de 250 mil moradores daquela área não continuem agonizando pelas 16 unidades de saúde da região. E que o aliado de Micarla de Souza, o deputado federal Rogério Marinho, seja mais feliz se, novamente, for ele a indicar o nome para dirigir o Distrito Sanitário Oeste, como fez na gestão Carlos Eduardo. O mais é renascer na esperança de teremos uma boa administração, fortalecer o controle social e acreditar que quatro anos passam logo.
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Que Deus nos ajude!

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FIQUE ATENTO AOS PRAZOS ELEITORAIS, NA RETA FINAL.
Prazos que se encerram entre os dias 30 de setembro e 4 de outubro
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O calendário eleitoral traz os prazos finais da propaganda eleitoral para a reta final da campanha municipal.
Veja as informações mais importantes sobre o encerramento desses prazos:
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30 DE SETEMBRO
- Último dia para os partidos indicarem aos juízes representantes para o Comitê Interpartidário de Fiscalização, bem como os nomes das pessoas autorizadas a expedir as credenciais para fiscais e delegados;
2 DE OUTUBRO
- Último dia do prazo para transmissão da propaganda eleitoral gratuita no rádio e na TV;
- Último dia do prazo para propaganda política mediante comícios, reuniões públicas e debates;
3 DE OUTUBRO
- Prazo final para a propaganda eleitoral na imprensa escrita;
4 DE OUTUBRO
- Último dia para a propaganda eleitoral mediante alto-falantes ou amplificadores de som, entre às 8h e às 22h, utilização de aparelhagem de sonorização fixa, entre às 8h e às 24h, bem como promoção de carreata e distribuição de material de propaganda política.
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