15 maio 2008

- CANTOR MOSSOROENSE LANÇA SEU QUARTO TRABALHO.



O cantor, compositor e instrumentista JOSÉ CARLOS, com vários anos pelas estradas da música e com marcante atuação nos Estados do Rio Grande do Norte e Bahia, principalmente, chega agora ao seu quarto CD.
José Carlos é baiano de nascença. No entanto, há mais de vinte anos adotou Mossoró como sua terra, sendo para todos um exemplo de grande figura humana.
Dos seus trabalhos anteriores, objetiva-nos a advertir que, tanto pela forma rebuscada da musicalidade quanto pela força das letras, tem-se claramente a predominância do seu compromisso com as várias formas de evangelização levadas à efeito pelas muitas correntes religiosas, sem, no entanto, olvidar a inevitável qualidade musical.
E é exatamente em razão disso que as suas músicas têm acentuado caráter religioso, máxime por serem amparadas por forte apelo da preservação da família enquanto célula mater da sociedade.
Desta forma, o quarto CD de José Carlos, entitulado "NÃO TEMAS - Eu Venci o Mundo" representa um marco importantíssimo na sua carreira, principalmente por ser um momento a partir do qual se dará toda a conotação e o encaminhamento dos seus propósitos de mensageiro e disseminador da evangelização do povo através da música.
O lançamento do seu IV CD acontece nesta sexta-feira, dia 16 de maio, às 20h00, no Teatro Municipal Dix-Huit Rosado, e contará com a participação da Banda H, do cantor e compositor mossoroense João de Deus, do Cantor Zé Lima e do Cantor Geovane Bezerra da Comunidade Renascer.
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DA ARTE DE MATERNAR (Por Clauder Arcanjo)
Miriam Carrilho me escreveu falando de Zuleide Duarte.
— Clauder, você conhece Travo, de Zuleide? Um primor.
As pessoas sempre acham que eu deva conhecer tudo em literatura. Penso que é devido ao meu mister de resenhista literário. Em poucos dias, recebo uma nótula de Zuleide, pela Internet. “Mais uma amizade tecida pelo fio de carinho da Penépole potiguar radicada em chão pernambucano!”; concluo.
Trocamos percepções e endereços. Na mesma semana, a chegada, em minha casa, do livro de contos Da arte de maternar e outras artes, Recife: Editora Baraúna, 2005. Viajo para o Rio, e levo em minha bagagem os contos de Zuleide. Na contracapa, algumas informações relativas à autora. “Zuleide Duarte é professora de Literatura de Língua Portuguesa. Publicou os livros: Travo(novela), Leituras luso-brasileiras (ensaios), D’Eça e d’outros (ensaios)... É colaboradora de revistas nacionais e estrangeiras. Participou do Dicionário Temático da Lusofonia, publicado em Lisboa pelaEditora Texto, em 2005.” Da arte de maternar traz apresentação de Jaci Bezerra, e Jaci nos confidencia: “... poucas pessoas conheci tão devotas à literatura como Zuleide Duarte. Tudo que constitui literatura — contos, romances, poesia,ensaios, incluindo-se as artes, constitui para ela matéria de interesse. Creio que Zuleide Duarte morreria se não pudesse ler.”
Pouco adiante, mais alguns dados preciosos acerca de Zuleide Duarte: “Professora, ensaísta e devota dos livros, Zuleide também é ficcionista. E dessas ficcionistas que depois que escrevem parecem sentir ciúme do que escrevem.” No conto de abertura, “Amor e alfarrábios”, uma largada de qualidade: “Quando ela entrou sentiu a formalidade no ar. O ambiente austero daquele setor de documentos especiais da Biblioteca de... imprimia respeito, tal agravidade das pessoas que ali estavam.” Continuei a leitura, certo de encontrar outras boas surpresas na história. “Não se diz adeus quando os suores se misturaram, os líquidos corporais se perderam no caminho, o prazer eternizou o encontro. Ficou a tatuagem do corpo... no corpo, na alma... Criação e descanso. Verbo se fez carne.” Realmente, Duarte é exímia no jogo da linguagem. Como bem anunciou Jaci Bezerra: “Uma linguagem solta e ao mesmo tempo precisa, diálogos diretos, concisão, e um corrosivo senso de humor.” “Isto mesmo. Uma vida de incredulidade. Homem em missa de sétimo dia, se ele for o morto. Vivo, distância. Amargava a decepção do casamento desfeito há três décadas.” Desta forma, somos levados, de roldão, pela arte de narrar de Zuleide, ao centro do drama de “Antiga ternura”.
Em várias passagens, um quê de riso assomava aos meus lábios. Vou relatar aqui o porquê. “Está brincando comigo? Já passei dos cinqüenta e você deve cuidar dos achaques porque já deve ter sessenta. E dois, minha senhora, mas um coração de jovem.”; eis um exemplo pinçado de “Antiga ternura”. “E tudo plasticamente trabalhado. Sem excessos nem exageros. Pela síntese, pelos títulos, pela escolha dos personagens, tudo é tão leve, apesar de real, que até a maldade tem graça”; comenta Jaci na apresentação. Os dramas femininos se destacam ao longo do livro. Em “Da arte de narrar”, encontramos a mestria de, em poucas palavras, construir a cena e definir a personagem, habilidades imprescindíveis em quem se propõe ao mister de contista. “O corpo de morena fornida nunca se aqueceu nos masculinos calores. Mas foi mãe de muitos filhos dos outros, acompanhando levas de sobrinhos, netos, parentes e aderentes.”; dá-se assim o início desse conto. Uma boa e criativa mistura de relatos. Alguns mais regionais, outros comforte viés psicológico, porém, em cada um deles, estamos perante a uma escriba zelosa com a sua arte narrativa, a analisar o intestino dos dramas humanos. Como em “Dores”: “Adolescente, fora viver com os padrinhos. Ele, médico. Ela, doméstica. Com um ano e meio, a madrinha se foi. O viúvo encompridou os olhos, mas o bom senso o impediu de colher as primícias da afilhada. Casado novamente, o homem deu cobro ao desejo, satisfeito. Carne nova.” Satisfeito, vejo-me a percorrer “Erro de cálculo” (“Morreu como viveu. Parca de afetos. Da filha, um grito histérico. Dos outros, o nome riscadona agenda.”); “Escolha”; “Fiat voluntas”; “Hay peligro”; “Não era daqui”; “Náufragos” (“Os bens acumulados na mesquinhez da mesa, onde mal se matavaa fome...”), dentre outros. Quem escreve como Zuleide Duarte expõe o cotidiano com a marca singulardos mestres. E é sempre um prazer quando se conhece alguém que domina a arte de maternar os leitores com o carinho dos devotados às letras.
(Clauder Arcanjo — Professorclauder@pedagogiadagestao.com.br Texto publicado no jornal Gazeta do Oeste (Mossoró-RN), caderno Expressão, espaço Questão de Prosa, edição de 11 de maio de 2008.)
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