26 novembro 2007

- O QUE ESTÃO FAZENDO COM A MEDICINA?


Onde Está o meu Doutor?

(Por Tatiana Bruscky*)
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Hoje acordei sentindo uma dorzinha, aquela dor sem explicação, e uma palpitação,resolvi procurar um doutor, fui divagando pelo caminho...
Lembrei daquele médico que me atendia vestido de branco e que para mim tinha um pouco de pai, de amigo e de anjo...
O Meu Doutor que curava a minha dor, não apenas a do meu corpo mas a da minha alma, que me transmitia paz e calma!
Chegando à recepção do consultório, fui atendida com uma pergunta: QUAL O SEU PLANO?
O MEU PLANO? Ah, o meu plano é viver mais e feliz! é dar sorrisos, aquecer os que sentem frio e preencher esse vazio que sinto agora!
Mas a resposta teria que ser outra... o MEU PLANO DE SAÚDE...
Apresentei o documento do dito cujo já meio suada, tanto quanto o meu bolso, e aguardei... Quando fui chamada corri apressada, ia ser atendida pelo Doutor, aquele que cura qualquer tipo de dor...
Entrei e o olhei, me surpreendi, rosto trancado, triste e cansado...
será que ele estava adoentado?
É, quem sabe, talvez gripado não tinha um semblante alegre, provavelmente devido à febre... Dei um sorriso meio de lado e um bom dia...
Sobre a mesa, à sua frente, um computador, e no seu semblante a sua dor.
O que fizeram com o Doutor?
Quando ouvi a sua voz de repente: O que a senhora sente?
Como eu gostaria de saber o que ELE estava sentindo...
Parecia mais doente do que eu, a paciente...
Eu? ah! sinto uma dorzinha na barriga e uma palpitaçãoe esperei a sua reação.
Vai me examinar, escutar a minha voz auscultar o meu coração...
Para minha surpresa apenas me entregou uma requisição e disse: peça autorização desses exames para conseguir a realização...
Quando li quase morri...TOMOGRAFIA COMPUTADORIZADA, RESSONÂNCIA MAGNÉTICA e CINTILOGRAFIA!?
Ai, meu Deus! que agonia!Eu só conhecia uma tal de abreugrafia...
Só sabia que ressonar era (dormir), De magnético eu conhecia um olhar... E cintilar só o das estrelas! Estaria eu à beira da morte? de ir para o céu? Iria morrer assim ao léu?
Naquele instante timidamente pensei em falar: terá o senhor uma amostra grátis de calor humano para aquecer esse meu frio? Que fazer com essa sensação de vazio? e observe, Doutor, o tal Pai da Medicina, o grego Hipócrates, acreditava que A ARTE DA MEDICINA ESTAVA EM OBSERVAR.
Olhe para mim...
Bem verdade que o juramento dele está ultrapassado! médico não é sacerdote... tem família e todos os problemas inerentes ao ser humano...
Mas, por favor, me olhe, ouça a minha história! Preciso que o senhor me escute, auscultee examine! Estou sentindo falta de dizer até aquele 33!
Não me abandone assim de uma vez!
Procure os sinais da minha doença e cultive a minha esperança!
Alimente a minha mente e o meu coração... Me dê, ao menos, uma explicação!
O senhor não se informou se eu ando descalça... ando sim! gosto de pisar na areia e seguir em frente deixando as minhas pegadas pelas estradas da vida, estarei errada? Ou estarei com o verme do amarelão? Existirá umas gotinhas de solução?
Será que já existe vacina contra o tédio?
Ou não terá remédio?
Que falta o senhor me faz, meu antigo Doutor!
Cadê o Sccoth, aquele da Emulsão? Que tinha um gosto horrível mas me deixava forteque nem um Sansão!
E o Elixir? Paregórico e categórico, E o chazinho de cidreira, que me deixava a sorrir sem tonteiras?
Será que pensei asneiras?
Ah! meu querido e adoentado Doutor!
Sinto saudadesdos seus ouvidos para me escutar, das suas mãos para me examinar, do seu olhar compreensivo e amigo... do seu pensar... O seu sorriso que aliviava a minha dor... Que me dava forças para lutar contra a doença... e que estimulava a minha saúde e a minha crença...
Sairei daqui para um ataúde?
Preciso viver e ter saúde! Por favor, me ajude! Oh! meu Deus, cuide do meu médico e de mim, caso contrário chegaremos ao fim... Porque da consulta só restou uma requisição digitada em um computador e o olhar vago e cansado do Doutor!
Precisamos urgente dos nossos médicos amigos, a medicina agoniza... ouço até os seus gemidos...
Por favor, tragam de volta o meu Doutor! Estamos todos doentes e sentindo dor... E peço, para o ser humano, uma receita de calor, e para o exercício da medicina... uma prescrição de amor!
( * Tatiana Bruscky é médica e mora em Recife, PE )
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O SEU DOUTOR MUDOU. SABE POR QUE?
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Acho que é porque se sente explorado. Exercendo uma das mais nobres profissões, é remunerado abaixo dos cabeleireiros e dos mecânicos. Já não mais recebe "HONORARIOS", porque os intermediarios decidem quanto vai ganhar. E hoje, para esses sanguessugas o doutor representa uma incomoda despesa. Como não podem faze-la sumir, estão produzindo "doutores" aos montes, para assim torná-los ainda mais baratos. O doutor perdeu o respeito e o prestígio. Para os Planos, virou apenas um mal necessário. O Doutor virou "servidor"em hospitais públicos imundos, mal aparelhados. Onde ele passou a ser saco de pancadas. Sem direito a reivindicar, muito menos a protestar. A sociedade demonstra ter recursos pra tudo, menos para pagar HONORARIOS diretamente ao doutor. E aos poucos o doutor foi mudando. Viu que não o respeitavam mais. Passou a receber ordens de perfumados filhinho(a)s de famílias ricas, cercados de seguranças, morto(a)s de medo, mas arrogantes e sem educação. Entravam em seu consultorio com o (s) celular(es) ligado(s), que atendiam ao som de toques os mais bizarros - de miados a relinchos. Nem pediam licença. Iam logo tratando de negocios: vendendo blusas ou rapaduras, marcando viagens de luxo para outros continentes, combinando festas ou compras de supérfluos caros. E ele quieto, calado, esperando...
O doutor passou a sentir pairando sobre ele, a afiada espada de Dâmocles, pronta a cortar-lhe o pescoço para que alguem sugasse até sua última gota de sangue. Viu surgirem "doutores" vitoriosos, mesmo sem conhecer a ciência- arte da medicina, mas mestres/doutores na arte de ludibriar. Viu as máquinas assumirem seu lugar no imaginario das pessoas. Viu-se sem forças para reagir. E resolveu deixar-se arrastar pela corrente, meio frio, meio indiferente. Até consigo mesmo...
(Enviado por Paiva Lopes, Mossoró, RN)

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