22 outubro 2007

- QUEM TEM DÚVIDAS? (por Bernadete Cavalcante*)

Hoje “circulando” pela rede vi o quanto à internet nos proporciona e bastou um simples toque num site de pesquisa, para constatar o quanto mais e mais, a minha cidade, que até pouco tempo era tão insignificante e desconhecida, se torna popular. São blogs para todos os gostos. Informações reais, algumas equivocadas, mas todas construídas por pessoas que, acredito, tentam fazer o seu melhor.
Que bom que com o advento da internet, temos a oportunidade de exercitar a nossa leitura, treinar a nossa escrita e até nos tornarmos profissionais da comunicação sem muitos critérios, sacrifícios ou preocupação com as leis de regulamentação da profissão ou mesmo com o código de ética, como acontece como quem é realmente jornalista, visto o compromisso profissional assumido em juramento e as implicações legais que temos que enfrentar nos casos levianos, quando se está na imprensa oficial. O paradigma digital, com o excesso de informações não verificáveis e de imagens sintéticas acaba por produzir baixa credibilidade nas notícias veiculadas pela WEB. Mas, independente disso, também permite divulgar trabalhos e vender produtos.
E por falar em produto, como se vende o turismo de Portalegre (foto) na rede? Aliás, que bom que ele existe hoje em Portalegre, não? Afinal permitiu e permite tanta coisa, especialmente a volta de filhos “pródigos”, os quais por falta de oportunidade de trabalho deixaram a terra e a família. E o irônico nessa história é que o pioneiro em oferecer essa oportunidade, nem é um filho legítimo da terra.
Mas, voltemos a NET, aos ”blogs” portalegrenses e seus conteúdos diversificados. Propagandas, (algumas enganosas, pois se firmam no excesso de maquiagem a elas atribuída), as belezas da serra descortinadas a partir de 2003, colunas sociais e outros tópicos fazem parte de alguns. No entanto, o mais inusitado e comum entre alguns deles é a postagem de uma “consulta” (e agora com resultado computado), sobre quem deveria ser o próximo prefeito de Portalegre. Para mim um questionamento equivocado, exatamente por entender que o povo não tem nenhuma dúvida quanto a isso, embora tenha que admitir que política não ande junto com gratidão, contudo ainda prefiro acreditar que esse sentimento não tenha se diluído do coração da maioria dos portalegrenses, embora eu já tenha constatado a sua total inexistência no coração de alguns.
Nada contra a enquete, se assim podemos chamar aquilo, mas não consigo entender a razão de tantos nomes postos, não que seja contrária a qualquer um deles, afinal a democracia permite isso, mas apenas surpresa com relação a alguns. Ainda prefiro acreditar (em função de ser algo postado num blog com extensão sem identidade, no seu início, porém “linkada” em blogs de pessoas conhecidas), que é um produto sem fundamento científico, de resultado duvidoso. Mas, com certeza, a serviço de alguém e/ou de alguns. O que ainda pondero e posso dizer com relação a isso é que Portalegre tem uma parceria política e um grupo que, apesar de contar com membros desagregadores, existe de fato e vem dando certo há 11 anos, o que não deixa dúvidas sobre as eleições de 2008.
A melhor “enquete” sobre a sucessão do prefeito Euclides Pereira está posta em cada recanto da cidade, na forma de obra física ou de programa social, portanto bem longe dos que participam como eu, dos privilégios tecnológicos e da inclusão digital. O eleitor que vai decidir isso, não tem blogs, nem NET, talvez nem tempo para o mundo virtual. Será principalmente o portalegrense que não tinha água em casa e hoje tem, o que não recebia atendimento de saúde na sua comunidade rural e hoje recebe; o que não contava com escola e hoje conta, o que via a sua safra de caju apodrecer debaixo do cajueiro e hoje ganha dinheiro com ela.
Será àquele que não precisa mais se submeter à exploração injusta do atravessador para vender a sua castanha; será o que aprendeu sobre cooperativismo, sobre direitos sociais, sobre respeito mútuo. Será aquele que tem coentro, rapadura, farinha, goma, mandioca e qualquer outro produto agrícola e vende-o dentro de um programa que lhe permite dinheiro limpo e alimenta o mais faminto. Será exatamente o mais faminto que está sendo alimentado. Será aquele que nunca soube o que é crédito agrícola ou fundiário e encontrou quem o ensinasse o melhor caminho para o acesso aos bancos, sem se tornar um refém de empréstimos e juros exorbitantes, será os que encontram no turismo, mais uma forma de rentabilidade e lazer, jamais imaginada antes na nossa ignorada cidade. Serão, enfim, os portalegrenses mais inteligentes e que não desejam retroceder. Por isso, e muito mais, eu diria que só tem dúvidas sobre 2008, quem era beneficiadp ou foi capaz de esquecer os 24 anos que antecederam 1996.
Cada dia me vejo mais distante da política, pois essa ciência endurece o ser humano e mata sentimentos nobres, desagrega famílias e produz inimizades. A política (infelizmente) não combina com gratidão e esse é um sentimento que não pretendo abdicar enquanto ser. Há sempre a criatura engolindo o criador, basta olharmos a história do Brasil e, particularmente, do Estado: Aluízio Alves, Dinarte Mariz, Carlos Alberto de Souza, Wilma de Faria (quando ainda era Maia), Zé Agripino, Henrique Alves, Ana Catarina e tantos outros. E em relação à desagregação familiar nem precisamos lembrar Pedro e Fernando Collor, aliás, não precisamos nem mesmo descer à serra.
Gratidão (que não significa submissão ou subserviência) é o sentimento que primeiro se esquece quando se chega ou se quer chegar ao poder. Aliás, lado a lado com a ingratidão, se instala a ganância. E o que seria FIM, fim no sentido de realização do objetivo coletivo, tende a se tornar MEIO, meio de vida pessoal. Nessa história toda só lamento o fato de ter a certeza que os que fazem ou querem a intriga, jamais fizeram qualquer coisa pela comunidade. Tem muita gente cuspindo, não no prato que comeu, mas em quem lhe serviu o prato, tudo em nome e a favor de quem, nem mesmo lhes queria dar um copo d’água que fosse. O que é uma pena!
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*Bernadete Cavalcante, jornalista muito acima da média que, no meu modesto entendimento, sempre foi e continua sendo subutilizada.
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NOTA: faço questão de destacar um fato importante da jornalista Bernadete Cavalcante: fazendo a cobertura para o Diário de Noticias, de Lisboa, teve o privilégio e a honra de, no mês de maio transposto, acompanhar Mário Soares, ex-presidente e ex-primeiro ministro de Portugal, em toda sua estada em Natal, RN. Segundo ela, viveu um verdadeiro laboratório de história, bem assim uma grande experiência profissional.

Um comentário:

Anônimo disse...

Bete, se vc está tão parida por esse grupo que vem mandando em portalegre, faça um blog só pra vc para divulgar as coisas boas...