03 julho 2007

- PAULO GOMES: UM AMIGO INVETERADO

Se é verdade que todas as pessoas que passam pela nossa vida têm uma missão para cumprir, não menos verdadeiro é o fato que, embora raro, algumas delas, talvez pela forma como dignificam suas missões, é certo, tendem a permanecer dentro dos nossos corações. São aquelas pessoas que podemos e devemos cognominá-las de "AMIGOS INVETERADOS."
Hoje, embora doloroso, ao lado de sua família e amigos, tive uma missão a cumprir: dar o último adeus a PAULO GOMES, um amigo inveterado. Paulinho, Paulo da Esam, PG, eram outras formas carinhosas como os muitos amigos o tratavam. Em verdade, isso é o de menos! O que se tem por concreto nesse momento, principalmente para os que desfrutaram de sua amizade nessa sua rápida passagem entre nós, certamente, é a existência de uma imensa lacuna advinda da sua ausência física. Sim, porque noutro plano, o que não abrigo dúvida alguma, a tua presença será sempre sentida e fraternalmente abraçada.
Paulo Gomes é filho de uma família modelo: seu pai, Moacir Gomes, cidadão exemplar, comerciante por muitos anos aqui na nossa cidade, reside hoje em Natal, RN, ao lado de Dona Maria do Carmo, casal que tem por prática inveterada, o que afirmo por experiência própria, tratar como filhos todos os amigos dos seus filhos: Fernando, Ronaldo, Adriano, Moacir Filho (Zôba), Cecília, Mirtes, Amélia, Luciana, Roberta, Flávia e Paulo Gomes.
Paulo Gomes, funcionário público, músico, boêmio, notívago por excelência, e um amigo arraigado, nos últimos anos teve o curso de sua vida modificado por interferência direta de três pessoas, principalmente: Helena, a sua inseparável companheira e seus dois filhos: Bruno e Ana Luíza.
Paulo Gomes sempre foi, por excelência, um vivedor inveterado!
Lembro-me uma certa vez quando numa roda de amigos, cerca de cinco ou seis, todos estavam a comentar as suas aprovações no vestibular. Dois se gabavam dizendo que "tinham passado para Engenharia Civil;" já outros dois, "que tinham passado para Engenharia Elétrica", quando um deles perguntou: - e você, Paulo Gomes, passou para quê? E Paulo, fazendo uso de seu inseparável e impagável espírito de gozador, em cima da bucha, respondeu: - eu passei para Engenharia Geográfica!!
Paulo Gomes, por incentivo principalmente meu, chegou a tentar seu ingresso na política, quando em 1992, ao lado de Jorge Silvano, João Batista (João Careca), Chico Bento, Francisco Sales, entre outros, disputou uma vaga à Câmara de Vereadores de Mossoró, integrando a memorável campanha do jurista e professor Paulo Afonso Linhares a Prefeito de Mossoró.
Entre os muitos sonhos, sempre comentava um: protagonizar um show de humor em Mossoró. Talento nunca lhe faltou! Um imitador de mão cheia! Fazia tal e qual, sem tirar nem por, a voz e os trejeitos do nosso presidente Lula, Cauby Peixoto, Fagner, e de algumas figuras singulares e queridas da nossa cidade, como por exemplo, o Professor Jorge Silvano, o artista plástico Ney Morais, o cronista social Chiquinho Duarte, além de vários amigos de repartição.
Quando há cerca de cinco anos, larguei o vício do tabagismo, ele me perguntou como eu havia conseguido. Sem muito rodeio lhe disse: - amigo, estou fazendo uma espécie de empréstimo compulsório, ou seja, estou me permitindo fazer uma reserva para desfrutar de uma terceira idade mais saudável e tranqüila. E ele, como de praxe, fez a seguinte observação: - quer dizer que a diferença básica desse empréstimo compulsório para aqueles que o Governo Federal vez por outra nos joga goela abaixo, é que, esse, você realmente vai tê-lo de volta!
Essa observação, principalmente em razão de sua palmar vontade de retornar ao convívio dos amigos, era sempre por ele comentada nos últimos meses, quando travou uma verdadeira batalha pela vida.
Sentindo-se de certa forma também vencido, um amigo comum, "Júnior Pop" desabafou: - porquê tanta gente que só faz o mal continua aqui e Deus leva justamente uma pessoa que só alegria proporcionava?! Reside exatamente ai o valor da vida, ou seja, é exatamente por existirem os preferidos que, obviamente, são poucos os que gozam do privilégio de estar mais cedo ao lado do grande Arquiteto do Universo. E Paulo Gomes, pela sua prática durante a sua, embora rápida, passagem no plano material, encontra-se confortavelmente acolhido num lugar merecido.
Descanse em paz, AMIGO!

Mossoró, RN, em 2 de julho de 2007.

6 comentários:

Bernadete Cavalcante disse...

Oi Herbert,
Não conheci Paulo Gomes, mas ao ler essas belas palavras é como se o conhecesse e também o admirasse. Sinto muito, por você, pelos outros amigos e família.
Deus prefere os bons!

Beijos
Bernadete Cavalcante (Beta)

Cecília Lopes disse...

Herbert,

Já tive oportunidade de te agradecer essa mensagem carinhosa para meu irmão, mas a cada vez que a releio é como se fosse a primeira: me emociono sempre!
Realmente Paulo deixou sua marca inconfundível por onde passou: de preservar os amigos, de amar a família, de espalhar alegria e de despertar em todos uma cativante maneira de amá-lo exatamente como era!!
A saudade é enorme; afinal, ele era também um "irmão inveterado". Mas peço a Deus que o ampare e que nos dê força para conviver com sua ausência.
Um abraço,

Cecília Lopes.

Anônimo disse...

Caro Herbert,

Somente as estrelas e a noite fria, calma e silenciosa, conhecem o sentimento que ora partilhamos com a ausência de Paulo. Porém, suas palavras são portadoras de um significado que transcende a alma pois foram escritas com o coração. Dor e saudade se confundem no tempo que insiste em eternizar por não querermos dizer "adeus". Abraços sinceros. Adriano

Nilda Lopes disse...

Toda manifestação de respeito, admiração e carinho por nosso estimado Paulo ainda é pouco... Foi um amigo, primo, irmão, filho, pai, com todo o significado da palavra... Alguém que passou pela vida transmitindo apenas o bem, alegrando a vida de todos a sua volta e até na sua doença mostrou-se um grande guerreiro. Quem devia receber estímulo, mesmo quando se mostrava frágil, animava todos que com ele travavam a mesma batalha por amor...
Fez muitos e fiéis amigos ao longo da vida, nada que até o mais ignorante dos homens não poderia prever só em olhar o seu sorriso sempre "bonachão" e aquela maneira boêmia de ver e viver a vida, caso me permitam tal redudância...
Quando eu lembro daquele bêbêzinho gordinho, quem diria... De toda a confiança que o meu pai tinha de entregar o carro apenas a ele... Tenho certeza que recepcionou bem o Paulinho aí no céu , não é, papai?! Está cuidando dele...
Ahhh!!! Quantas histórias... As mais simples são justamente as mais belas, eternas...
O que mais posso eu dizer, então??? Nada, absolutamente nada... Só o silêncio é capaz de traduzir o que sentimos e sentiremos sempre... A sua falta... O amor e a saudade são eternos, e por mais que doa, nos bastam, pois a certeza de termos compartilhado algo tão concreto e autêntico conforta dia-a-dia a consciência de não o termos mais fisicamente por perto...
Isso, apenas no plano físico, porque em espírito... Ganhamos um grande intercessor junto ao Pai.
Deus realmente prefere os bons!!!
Tem urgência deles!!!
E a nós, resta apenas o consolo de um até logo, e não adeus...

Vivi Tecladista disse...

Caro amigo Herbert, se eu não fosse internauta não teria essa informação catastrófica. Pôxa! que coisa, eu gostava muito dele, sempre que eu o via, cantava assim: "PG PG PG para vereador...", só nisso ele já sabia que era eu. Recebi muitas palavras de vida desse grande homem; Paulo Gomes.
Más ele agora está num plano mais sutil, ao lado dos seres divinos. Com certeza, ele está muito bém acolhido, eu fico aqui pensando nos nossos raros encontros.

Togo Ferrario Costa disse...

Caro amigo Herbert. Não conhecia sua verve literária, apenas a musical e, um pouco, a de advogado. Foi a melhor crônica que lí sobre o querido amigo Paulo Gomes, se é que alguém mais escreveu a respeito dele. Está tudo alí como ele realmente era: simples, comunicador, bom papo, e tantas outras qualidades que, Deus resolveu levá-lo para sua companhia, pois creio, lá por cima, o ambiente deveria estar muito chato. Não foi uma nem duas vezes que, quando batia um tédio por aqui, lhe telefonava ou passava um e-mail para por em dia as piadas de... enfim, do cotidiano. Não me lembro de tê-lo visto, em momento algum, contrariado com o dia-a-dia, das presepadas dos políticos, como ele costumava dizer. Só gostava de viver, e viver de bem com a vida, em perfeita harmonia com a alegria, sua (dele), marca registrada maior. Tenho a mais absoluta certeza de que ele está em PAZ. Nós é que estamos apanhando da vida sem a presença física do INVETERADO PAULO GOMES.