19 dezembro 2006

-UM PAÍS AO AVESSO

Um País ao avesso
Por Gustavo Porpino*
Pense um pouco. O que é melhor para o país? Aumentar salários de deputados e senadores ou valorizar a carreira de professores, cientistas, médicos e outras profissões que lidam com o conhecimento e a ciência?Convenhamos, para ser deputado ou senador nesta democracia de araque bastam visibilidade e alguns milhões para fortalecer a imagem. Os tais representantes do povo brasileiro são pobres em idéias, ineficientes e só demonstram agilidade quando estão legislando em causa própria.
O Governo diz que não concordava com a duplicação do salário de deputados e senadores, mas também mostrou extrema passividade durante o curto período em que o tema esteve em discussão. A mão forte do presidente, decretando sua opinião, só funciona contra os humildes. É o medo de perder a tal governabilidade. Mas de fato, quem acompanha a cena política, sabe que temos um desgoverno de um lado e um bando de interesseiros na oposição. Falta rumo, sobram interesses de grupos de pressão.
O aumento serve de lição para a classe média. Não percam tempo educando seus filhos. Nesta democracia às avessas, quem menos sabe, mais ganha. Quem menos trabalha, mais recebe benefícios. Está tudo ao contrário no Brasil de Lula, Sarney, Ney Suassuna, Aldo Rebelo e Renan Calheiros, quinteto que faria um bem enorme ao Brasil se fosse morar num palácio em Dubai, lá no meio dos Emirados Árabes.
Qualquer deputado iletrado recebe R$ 114 mil mensais entre salário, ajudas de custo e verbas indenizatórias, enquanto isso, professores com Doutorado e cientistas de instituições federais têm salário inferior a R$ 6 mil. Cada parlamentar neste país custa mais do que 20 professores do mais alto nível. Deputados e senadores não recebem meros 13 salários anuais. A participação em sessões extraordinárias vale ganhos extras. Já tivemos anos em que os burocratas embolsaram 19 salários.Se fossemos um país sério, estaria em discussão pública uma forma de reduzir drasticamente o custo de cada deputado e senador.
O Brasil precisa valorizar menos os burocratas e investir mais no conhecimento. Os 92% de aumento mostram que somos um dos países mais ricos do mundo. É muito dinheiro sendo destinado para pouca produtividade.Façam as contas. De saída, temos R$24.500 recebidos de 15 a 19 vezes por ano, dependendo do número de sessões extraordinárias. Outros R$50.800 mensais são destinados à contratação de assessores. Outra verba, de R$15 mil por mês, é dirigida à manutenção do gabinete. Acrescente, ainda, R$16.500 de passagens aéreas e R$4.200 de cota postal e telefônica. Já basta? Não! Os nobres da república recebem mais R$ 3 mil para auxílio moradia. Ao final do ano, cada deputado terá custado mais de R$ 800 mil.
Lá no interior potiguar, quando um miserável quer uma ajuda, diz bem assim: “meu sinhô, me dê um auxílio...” Pois bem, somente “o auxílio” dos deputados e senadores é superior ao salário da grande maioria dos trabalhadores de nível superior do país. Continuar achando todas estas distorções um fato normal significa a continuidade do nosso subdesenvolvimento.
*Jornalista potiguar radicado em Brasília

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