29 novembro 2006

OPOSIÇÃO NA OAB FINANCIOU ADVERSÁRIO EM MOSSORÓ.
-Por Roberto Guedes -
Uma jogada malsucedida envolvendo eleitores residentes em Mossoró, que operadores do direito baseados em Natal atribuem à chapa 2, encabeçada pelo professor Erick Pereira, segundo colocado no pleito realizado sexta-feira passada, parece ter concorrido decisivamente para a maioria de 106 votos que transformaram seu colega Paulo Eduardo Teixeira no novo presidente da seccional potiguar da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Consta em Natal que no início da semana passada a chapa 2 enviou para os coordenadores de sua campanha em Mossoró entre quinze mil e vinte mil reais para que ela providenciasse o adimplemento de anuidades de vários eleitores, para que pudessem participar da votação, e em grande parte o dinheiro ajudou exatamente a atualizar os pagamentos de eleitores que sufragariam o nome de Paulo. O episódio foi contado anteontem a esta coluna, como parte de uma sucessão de equívocos que a oposição teria cometido ao longo de uma campanha eleitoral que lhe parecia fadada ao sucesso. O primeiro teria sido administrar mal a realização e a utilização de pesquisas sobre a intenção de votos dos advogados. Nota veiculada ontem na imprensa da capital pelo instituto Consult corrobora essa versão. A empresa diz que, contratada pela chapa 2, mostrou a líderes desta, a dez dias do pleito, que grande parte dos eleitores tendiam a não comparecer às urnas, que a maioria inclinada a votar era constituída por jovens advogados e que a candidatura de Paulo Eduardo recebia mais apoio entre estes. Mesmo assim, os responsáveis pelo marketing eleitoral a serviço de Erick trabalharam até à véspera do pleito com a certeza de que este venceria com mais de 40% de maioria, como revelou reportagem que o matutino “Diário de Natal” informou quinta-feira passada. Outro erro foi tentar, na reta final do processo, aliar-se à chapa 3, encabeçada pelo jovem mossoroense Marcílio Mesquita. Este não apenas aceitou o acordo, porque Erick insistia em ser o candidato à presidência, como parece ter feito vazar a notícia sobre a tentativa. Quando passou a circular, a informação deixou claro que Erick tinha certeza de que não existiam os 40% e tentava, desesperadamente, agregar forças que pudessem ajudá-lo a derrubar Paulo Eduardo. O pior de todos os erros, porém, teria sido a utilização de dinheiro em Mossoró. Não é novidade que em eleições da OAB grupos terminam eliminando débitos de votantes perante a autarquia. O problema é que até à última experiência, quem financiava tinha certeza da eficácia do ato. Pelas contas dos advogados, mais de setenta eleitores baseados na região polarizada por Mossoró que estavam inadimplentes regularizaram sua situação com recursos patrocinados pela oposição e votaram no grupo vencedor. Instado ontem a confirmar essa ocorrência, Paulo Eduardo admitiu que tomou conhecimento de que na reta final se reduziu em muito a inadimplência em Mossoró e disse ter tomado conhecimento, por colegas, de que opositores teriam enviado muito dinheiro para esse município, mas se recusou a concluir que alguém tivesse tentado viciar o processo eleitoral com a compra da consciência de colegas. A seu ver, o que houve de melhor na história é que a corrida aos guichês da OAB aliviou consideravelmente a situação da autarquia (Roberto Guedes é jornalista e articulista do Jornal de Fato - http://www.defato.com).

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