28 setembro 2006

-NOVA GREVE DOS BANCÁRIOS


Bancários programam greve nacional para o dia 5

Os bancários rejeitaram a proposta de reajuste salarial apresentada ontem pela Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) e poderão entrar em greve por tempo indeterminado a partir da próxima quinta-feira, dia 5 de outubro. O comando nacional da categoria convocou assembléias estaduais dos trabalhadores, que serão realizadas no dia 4, para votar a paralisação. De qualquer forma, os sindicatos já sinalizam que o fechamento das agências em todo o País é quase certo.
PROPOSTA - Durante a última rodada de negociações, que ocorreu na tarde de ontem, em São Paulo, a Fenaban propôs à categoria um aumento salarial de 2%. Os trabalhadores, entretanto, pedem um reajuste real de 7,05%, além da reposição da inflação. Segundo o Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese), a inflação apurada no período ficou em 2,85%, pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC).
LUCROS - Além disso, os bancos também se comprometeram a pagar um valor fixo de R$ 816, relativo à Participação nos Lucros e Resultados (PLR), mais 80% do salário dos trabalhadores. Contudo, os bancários exigem uma PLR de 5%, referente ao lucro líquido linear da instituição de crédito, mais um salário bruto acrescido de R$ 1.500. Sendo assim, as propostas apresentadas ontem pela Fenaban foram consideradas insuficientes pelo presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf), Vagner Freitas. Segundo ele, os bancários vão rejeitar qualquer oferta que não contemple "aumento real e valorização expressiva da PLR".
CONTRA-PROPOSTA - O presidente do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, Luiz Cláudio Marcolino, disse que a categoria ainda espera uma contra-proposta da federação, entre segunda e terça-feira da próxima semana. Mesmo assim, ele já se prepara para tomar medidas mais enérgicas. "Se nos próximos dias não houver acordo com os bancos, com certeza vamos optar pela paralisação nacional por tempo indeterminado", ameaçou Marcolino. "A greve geral vai atingir as agências bancárias de todo o Brasil para pressionar as empresas a atenderem nossos pedidos".
NOVA REUNIÃO - A Contraf, filiada à Central Única dos Trabalhadores (CUT), vai enviar uma carta à Fenaban solicitando o agendamento de nova reunião para discutir a campanha salarial, quando os trabalhadores deverão exigir a reformulação da proposta. Porém, Freitas ressaltou que os bancários de todo o País já devem se preparar para pressionar as empresas do setor com uma "greve forte".
RECLAMAÇÃO - Os bancários reclamam de que a Fenaban vem tentando rebaixar os salários da categoria nos últimos anos. A prova disso é que a proposta apresentada ontem foi inferior ao aumento salarial oferecido em 2005. Na ocasião, os banqueiros se comprometeram inicialmente a reajustar os vencimentos mensais dos trabalhadores em 4% - neste ano, a oferta foi de apenas 2%. "Porém, o lucro dos bancos aumenta todo ano e bate recordes econômicos", criticou Marcolino.
FIM DA TERCEIRIZAÇÃO - Além do aumento salarial, os trabalhadores do setor pedem ainda o término das terceirizações de serviços, aumento da gratificação de caixa, fim do assédio moral e das metas abusivas e a ampliação do horário de atendimento nas agências, mas com a criação de dois turnos de trabalho. (Fonte: O Globo)

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