29 setembro 2006

-ELEIÇÃO PARA PRESIDENTE DA REPÚBLICA

Os erros do PT esbarram no não saber de Lula e sofre a força do poder da imprensa que poderá direcionar a disputa para o "tapetão."
Ao que tudo está a indicar, o desfecho dos últimos acontecimentos não será dos melhores para Presidente Luís Inácio. Os sinalizadores apontam para uma briga no melhor estilo empreendido pelos cartolas mais astutos do nosso futebol. Ao apagar dos refletores, a derrota nas urnas trará o inconformismo, e a ira será acalentada pelos instrumentos "legais" a serviço dos interesses dos que querem a manutenção da ordem e do respeito ao "estado democrático de direito". Nesse aspecto, existe uma realidade inegável: a vontade popular refletida nas urnas nestas eleições poderá não prevalecer.
A mastigada questão do "dossiê" que seria utilizado pelo PT paulista em detrimento do candidato ao Governo do Estado de São Paulo, médico e economista José Serra (PSDB) que deverá ser eleito no primeiro turno, embora seja mais uma situação inegavelmente abjeta, é fruto da ação dos que se consideram "intocáveis", dentro do Partido dos Trabalhadores. Fato é que tem-se disseminado "nesse país" um sentimento de impunidade verdadeiramente generalizado, o que é inegável, já que em períodos cada vez menores têm surgido novos escândalos, que suplantam os anteriores. Como prato do dia, quanto mais recente o escândalo melhor para a imprensa, principalmente. Via de regra, a imprensa até pode aumentar mas não inventa. A imprensa que inventa não é imprensa. Para isso se dá outro nome. Aliás, denominá-la de “marrom” seria inaceitável. Sim, porque nesse caso, é certo, ela estaria definida, quando, na realidade, ela é incolor, ou seja, nem cor tem.
No caso do "dossiê", especificamente, se o Partido dos Trabalhadores, por seu presidente de honra, já admite uma espécie de "erro pela metade" (ele sabia mas não sabia), essa meia culpa parece estar sendo suturada, ao menos na sua forma tentada, através do argumento de que "o conteúdo do dossiê deve ser apurado". E só! Ora, esse argumento é igual ao que poder-se-ia utilizar, também um traficante, para cobrar uma dívida contraída por uma venda de drogas, por exemplo. O ilícito não gera direito, máxime em favor de quem o pratica. Lula pode até ser inocente, como ele alega, de qualquer envolvimento nos escândalos que gravitam em torno do PT, seu partido. Mas também é incontestável o fato de que se a corrupção o pegou de surpresa ele tem apenas a sua própria política para culpar. Ao fim e ao cabo o que não se pode negar é que um prejuízo real ainda pode ser visto no provável segundo mandato do Presidente lula. Mesmo se ele ganhar no primeiro turno, o Partido dos Trabalhadores deve perder cadeiras no Congresso. Se isto acontecer, Lula inevitavelmente, e até por uma questão de governabilidade, terá de conceder um elevado número de cargos dos vários escalões para os velhos e novos aliados.
Embora o Presidente Lula na última campanha presidencial tenha declarado ser contra a reeleição, este instituto político não foi por ele idealizado nem criado. Quando ele disputou e venceu as eleições em 2002, ao assumir o cargo em primeiro de janeiro de 2003, já estava determinado na Constituição Federal, por iniciativa do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, este sim altamente beneficiado e beneficiador a tantos quantos beneficiários foram necessários para aprovar aquela Emenda Constitucional. Naquela época, inegavelmente, era necessário manter no poder os que estavam loteando o país, e o que é mais grave, por um preço ainda não calculado. Em verdade estamos até hoje pagando a conta. E que conta! (Herbert Mota).

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