18 setembro 2006

BERNADETE CAVALCANTE

A Jornalista Bernadete Cavalcante, que já atuou nesta urbe no jornal Gazeta do Oeste, há alguns anos radicada na cidade do Natal, vai contribuir com o nosso blog. Pelo meno uma vez por semana, vamos publicar artigo da sua lavra, o que certamente, vai enriquecer este espaço. A propósito, o seu primeiro artigo é o que podemos chamar de imperdível. Confiram!
Quem dá mais?

Gostaria de entender empate técnico, mas não consigo e, como nunca fui boa em matemática, nem me puno por isso.
Diferença de quatro pontos percentuais é empate técnico?
Sim. É o que todos dizem, principalmente os estatísticos dos institutos de Pesquisa, porque precisam manter “acesa” a chama da credibilidade do seu trabalho, até porque, pesquisa é tendência, não uma ciência exata como a matemática. Mas, até a matemática tem suas sutilizas; as dízimas periódicas com seus décimos infinitos, as quais me lembram minha grande amiga e jornalista Célia Freire. Celinha era grande aliada das dízimas, se amparava nessa coisa inexata para nos fazer alongar as noites de cerveja, após as reuniões do sindicato dos jornalistas.
Bons tempos!
Sua filosofia era: “Se, ao dividir a conta, o resultado fosse uma dízima, tinha-se que pedir mais uma, era a desculpa matemática de Celinha para outra cerveja”.
Voltando a pesquisa do Ibope, publicada na última sexta feira,15, sobre a eleição para governador, diga-me meu querido Herbert Motta: Se a margem de erro é de três pontos percentuais, para mais ou para menos, então como fazemos essa conta?
Se for para menos, Garibaldi cai três pontos e chega a 43, já que ele tem 46 na estimulada.
E Wilma, não cairia dentro dessa margem? subiria. ? Se ela sobe vai a 45, fica dois pontos a mais que Garibaldi.
Se ambos caírem, fica tudo na mesma; 43 a 39. Continua quatro pontos de diferença.
E se for para mais, Garibaldi sobe três e chega a 49? E Wilma, desce três vem para 39? Aí a diferença deixa de ser quatro e passa a ser 10 pontos?
Ainda assim seria empate técnico?
Plagiando o advogado do filme Filadélfia explique me como se eu tivesse cinco anos:
Empate não é algo igual?
Quando eu era adolescente, (e isso é bem recente) eu adorava ir ao Nogueirão, com meu tio Neto Germano, torcer pelo Baraúnas. Se o leão da doze ganhava do Potiguar, era vitorioso, mas se o jogo saia 0 x 0, 1 a 1, ou melhor, com o mesmo número de gols para cada time, aí sim, era empate, ( mas não era empate técnico, porque a culpa não era do técnico. Só era culpa do técnico quando perdia).
Se temos um ano mais que outro, um dedo a mais na mão, um centavo a mais de dinheiro, um segundo a mais de vida, um centímetro a mais de altura com relação a outro, não estamos empatados, estamos ? acho que estamos a mais. Isso é como gêmeos quando nascem, sem dúvidas são gêmeos, sejam univitelinos ou bivitelinos, mas jamais estarão empatados, não terão a mesma idade, porque não nasceram simultaneamente, um deles veio primeiro, o outro depois, portanto alguém está na frente, é mais velho, iguais nunca...
E dentro desse conceito, salvo a minha santa ignorância matemática, não consigo entender empate técnico, talvez porque não acredito em pesquisas. E sabe porque não acredito, porque em se tratando de política brasileira, elas (as pesquisas) não tem a dinâmica do jogo, eles servem apenas para fazer o jogo mais dinâmico, tipo leilão, com seus pregoeiros de plantão dizendo (não aos gritos como na coisa oficial, mas cochichando): “fulano dá mais” e outro rebate “Beltrano cobre essa oferta”, isso sempre numa arena fechada ou, no máximo, num lugar aberto como um alpendre de fazenda, nesse sertão potiguar que esconde administradores inescrupulosos ávidos por negociar (como vaqueiros tangendo bois de um lado para outro), mais uma vez, à população dos seus municípios. São pessoas (como dizia Lula antes de se tornar o pregoeiro-mor que é hoje) servindo de massa de manobra, para prefeitos sanguessugas.
E como nesse jogo tem as duas partes, os que se vendem e, principalmente, os que querem comprar. Quem pagar mais leva.
E quem paga mais?
Ah! Isso eu já não sei, mas parodiando a pesquisa, que é uma tendência , geralmente paga mais quem tem mais e/ou quem está perdendo.
Mas, um dia, tudo será diferente, porque embora eu não acredite em todos os políticos, mas acredite na política, acredito sobretudo em Manuel Bandeira e na sua poesia que é atual e se encaixa em tudo que nos cerca. "Tudo passa, tudo finda, a maior dor e a ilusão mais linda”.

Bernadete Cavalcante
jornalista
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