15 setembro 2006

ANTIINFLAMATÓRIOS PODEM CAUSAR PROBLEMAS CARDIOVASCULARES


O uso de medicamentos como Voltaren e Cataflan, antiinflamatórios que são listados entre os mais vendidos e mais consumidos, em todo o mundo, há cerca de 25 anos, deve começar a ser reavaliado. Esse é o posicionamento sugerido por cientistas da Universidade de Newcastle (Austrália), que apontam um aumento de 40% no risco de problemas cardiovasculares entre os usuários dos remédios. A análise, que foi coordenada pela cientista Patrícia McGettigan, envolveu um total de 1,6 milhões de pacientes, ao longo de mais de três anos, e demonstrou que medicamentos com o princípio ativo "Diclofenaco Sódico" - casos do Voltaren, Cataflan, Sonrisal e Neotaren, entre outros - podem mesmo ocasionar, por exemplo, ataques cardíacos e morte súbita.
TESTES - "O fato é que os remédios, após o teste em animais, são transferidos para o uso humano, mas todas as reações adversas não são descobertas de imediato ou no ano em que é autorizado para a venda nas drogarias", esclarece a farmacêutica natalense Ana Caroline Perez, que confirmou os prováveis riscos apontados pelo estudo da universidade australiana. De acordo com Ana Caroline, a cautela e o cuidado no uso de medicamentos com o princípio ativo considerado deve ser seguida, já que, caso seja feita uma comparação com as padarias, esses remédios podem ser equiparados ao "pão francês" de todo dia, uma vez que estão entre os mais vendidos nas drogarias. "Só o Neotaren tem uma saída, em média, de 15 caixas por semana", explica a farmacêutica.
ESTOQUE - Segundo Ana Caroline, dois itens contribuem para que o estoque de remédios como o Neotaren e Voltaren precise estar sempre abastecido: o preço acessível (que varia de R$ 5,40; R$ 9,85; até R$ 18,00) é uma das razões para liderarem as vendas. "A outra razão é porque eles são de tarja vermelha, que não exige a retenção da receita médica, por isso muitos usam o remédio após a recomendação de um vizinho, por exemplo", acrescenta, ao ressaltar que pacientes com pressão alta são orientados a não utilizarem compostos medicinais que contenham o Diclofenaco, princípio ativo que retém líquido no organismo. "Como o Diclofenaco contém sódio, ele retém líquido e o sangue aumenta de volume e, por isso, o coração trabalha com mais força, é mais exigido", alerta. A mucosa estomacal também está entre as possíveis prejudicadas no uso dos remédios avaliados, pois, segundo a farmacêutica, o princípio ativo inibe a formação de enzimas que protegem a parede do estômago, como a "ciclooxigenase". "Também orientamos para não misturá-los com diuréticos ou antibacterianos, que combatem a infecção urinária", diz Ana Caroline.
QUESTIONAMENTOS - A análise da Universidade de Newcastle investigou o resultado de outros 23 estudos, mas o método utilizado, da chamada "meta-analise", não foi aprovado por sites especializados e não obteve, até o momento o reconhecimento da FDA (Agência reguladora de alimentos e fármacos dos Estados Unidos), cujos posicionamentos também são seguidos pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), no Brasil. Um dos argumentos para a reprovação parcial da pesquisa está no fato de que, segundo a FDA, não foi utilizado o chamado "duplo-cego", no qual nem os médicos, nem pacientes, sabem que está recebendo o medicamento verdadeiro e o placebo, substância à base de farinha. No entanto, o número de pacientes observados, por outro lado, deu "mais peso" para a pesquisa, segundo os críticos da análise. Um trabalho que, neste item - de número de pacientes, foi considerado sem precedentes por médicos americanos.
REAÇÕES - "Essa questão de reações adversas foi verificada em relação ao Vioxx, que era muito consumido, mas saiu do mercado há dois anos. No caso do Voltaren, por exemplo, é preciso seguir algumas orientações, pois é muito procurado, por ser eficaz quanto a dores musculares e para o pós-operatório", concluiu Ana Caroline.(Fonte: Jornal de hoje)

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