07 fevereiro 2014

ARTIGO

FERNANDO BEZERRA NÃO ACEITA SER 'BOI DE PIRANHA'.
Por César Santos - jornalista e diretor do Jornal de Fato
 
A declaração do empresário e ex-senador Fernando Bezerra (PMDB) de que não aceitaria enfrentar a ex-governadora Wilma de Faria (PSB), numa eventual disputa pelo cargo de governador do Rio Grande do Norte, oferece várias leituras, com doses para todos os gostos.
Pode ser entendido como um “não” à candidatura ao governo.
Pode ser um atestado de um nome frágil, carregado de receio.
Ou pode ser, também, o recado direto aos Alves, como reação ao jogo rasteiro que está sendo jogado nos bastidores da sucessão estadual.
No primeiro caso, Bezerra estaria reafirmando o que já havia dito no passado recentemente, quando foi derrotado na disputa pelo Senado em 2006. Naquele momento, com a apuração das urnas concluída, ele disse que estava encerrando a sua carreira política e que voltaria à atividade empresarial.
Evidentemente, ao ter o nome lembrado, o ex-senador se sentiu útil, porém, sem a certeza de que é isso mesmo que ele deseja.
Na segunda hipótese, ao afirmar que não enfrentaria Wilma, estaria escolhendo um adversário, numa atitude no mínimo hilária. Como aceitar ser candidato e escolher o adversário? Seria bom demais. Você, leitor, poderia decidir ser candidato e escolher um “mané” para enfrentar, com a certeza de que sairia vencedor.
Sem esquecer, porém, que ainda precisaria de 50% mais 1 dos votos válidos.
O terceiro caso é o mais provável. Fernando Bezerra estaria devolvendo a moeda furada que lhe entregaram como estratégia de manobra.
Ao ser lançado, de público, pelos Alves, o ex-senador estaria apenas desviando as atenções, enquanto o deputado Henrique Alves costura nos bastidores candidatura própria e única, através de um acordão envolvendo todos os partidos, inclusive, o DEM, da governadora Rosalba Ciarlini, que seria sacrificada pelo líder da legenda, senador José Agripino Maia.
Bezerra percebeu que estava sendo feito de “boi de piranha” e decidiu reagir. Ao ocupar uma emissora de rádio de Natal, o ex-senador retribuiu as “qualidades” que os Alves “viram” nele, afirmando que o melhor candidato e mais preparado seria Henrique.
Pois bem.
Nesse jogo não existe menino besta. Muito menos Fernando Bezerra se apresenta como tal. Ele já deixou claro que aceita participar do processo, mas dentro de um ambiente de respeito, sem jogo rasteiro, nem estratégia usando pessoas conceituadas como é o seu caso.
O fato é que a política vive um momento atípico, nunca antes visto, onde o governo não se firma no processo sucessório, e a oposição parece perdida.

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