02 novembro 2012

ARTIGO DA SEMANA.

A PALAVRA NUMA CAMPANHA ELEITORAL
(Por Rubens Coelho - jornalista - rubensfcoelho@hotmail.com)

Poderá ter efeito benéfico ou maléfico dependendo do contexto em que for dita pelo candidato. Às vezes uma palavra inconveniente, mal colocada, pode ser fatal, ou no mínimo contribuir para a derrota e a vitória do adversário. 

Em 1950, a disputa principal para presidente da República, era entre o Brigadeiro Eduardo Gomes da UDN e Getúlio Vargas do PTB, o Brigadeiro, representando as classe mais abastadas da cidade, enquanto Vargas, a classe média e principalmente os trabalhadores, o operariado dos maiores centros urbanos. Nessa época as grandes empresas, não eram obrigadas a fornecerem alimentação aos empregados como acontece hoje, todos levavam suas marmitas com as refeições para o trabalho. 

Em certa ocasião, perguntado a Eduardo Gomes sobre a falta de apoio do operariado para sua campanha, ele inadvertidamente respondeu que não precisava de apoio de marmiteiro para ganhar as eleições. Foi o mote para os adversários usarem contra o brigadeiro e Getulio ganhar ainda mais os votos das camadas humildes da população e ser eleito presidente.

No Rio Grande do Norte, em 1986 se digladiavam na eleição para governo do Estado, João Faustino, da do PDS, apoiado pelo governador José Agripino e Geraldo Melo do PMDB, obviamente apoiado pelos Alves: Aluisio, Agnelo e o indefectível Carlos Henrique Alves. Como se sabe, Geraldo Melo tem pequena estatura, dizem que em certo momento em discursos os adversários disseram que não perderiam para um “tamborete”, que era Geraldo. Pois bem, em vez de depreciar a candidatura peemendebista, deu foi mais força, tanto foi assim que os partidários da candidatura de Geraldo passaram a adotar o tamborete como símbolo da vitoriosa candidatura.

Em Fortaleza, a prefeita Luziane Lins, expressando sua conhecida arrogância, em 2010, numa entrevista a TV Diário, perguntada se pretendia eleger o sucessor em 2012, ela disse que sim, que elegeria até um poste e sem luz, frisou. Essa frase infeliz foi agora bastante explorada pelos adversários num vídeo feito na época e mostrado no horário eleitoral. Foi o suficiente para muitos eleitores dizerem que não votava no Elano candidato da prefeita Luziane, por que não iriam votar num poste. Resultado ganhou o adversário, Roberto Claudio, do PSB.

Refletir antes de falar é a única maneira de evitar-se dizer o que não é devido, especialmente quando se trata de alguém em disputa por um cargo público.

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