19 outubro 2012

ARTIGO DA SEMANA.


INSUPORTÁVEL MANIQUEÍSMO
Por Rubens Coelho – jornalista - rubensfcoelho@hotmail.com

Com os desfechos do julgamento da Ação Penal 470, no Supremo Tribunal Federal, as decisões condenatórias da Corte, têm sido debatidas de maneira passional, os petistas e afins, acusam o STF de injusto, de não ser isento no julgamento, de fazê-lo politicamente, condenando os réus sem provas, apenas por serem do PT, correligionários, ex-dirigentes do partido e credenciados auxiliares do primeiro governo de Lula, que na verdade, seria ele indiretamente o alvo a ser atingido com o processo condenatório. Então de réus, especialmente José Dirceu, José Genoino, Delubio Soares e João Paulo Cunha, são vítimas de um “imenso complô da elite reacionária”, insatisfeita com ascensão lulista-petista. Essa tese conspiratória, nega peremptoriamente a existência do chamado “mensalão”, denunciado por Roberto Jefferson.

Nesse imbróglio aparecem o vilão e o mocinho. O Ministro Relator, Joaquim Barbosa, antes exaltado  como herói por ter se confrontado com o colega Gilmar Mendes, tido como um contumaz direitista, agora  é execrado de todas as maneiras, os heróis são outros: Ricardo Lewandowski e Dias Toffoli, cujas atuações no processo tem sido mais pro réus.    

No outro lado da linha, está toda gama de anti lulista, anti petista, a direita organizada ou não,  encabeçada pela oposição agregada no PSDB, DEM e assemelhados. Para essa banda, o “mensalão” incontestavelmente existiu não lhe interessa as provas, bastam às evidências. E os envolvidos, todos sem exceção, deveriam arder no fogo do inferno pela falta de fogueira da inquisição como na Idade Média, aonde “os mensaleiros” condenados deveriam ser queimados vivos. Felizmente os atuais carrascos não podem usar de tais punições. 

Esses tardios pregadores da moral e da ética esquecem a era FHC da qual eram destacados protagonistas do acobertamento dos escândalos denunciados na época e nunca apurados, como o do contrato do Silvan, e, outros tantos. Quem não se lembra do Geraldo Brindeiro, o famoso Procurador Geral da República, alcunhado de Engavetador Geral da República, pela prática de engavetar qualquer processo acusatório contra o presidente e governantes tucanos.

É preciso também lembrar o mensalão do PSDB  mineiro com as mesmas características do que está sendo julgado no Supremo. Vamos ver no que dá.

Deveria se aproveitar a ocasião para se discutir a arcaica e tendenciosa escolha de ministros para os tribunais superiores da República: (STF),(STJ), e (TST),com seus membros nomeados pelo Presidente da República, depois de passarem por uma faz de conta sabatina no Senado Federal, com os indicados sempre incondicionalmente aprovados num jogo de cartas marcadas.

Por que em vez desse maniqueísmo no processo do “mensalão”, não se discute mudanças na forma de escolha de ministros dos tribunais superiores? Fazendo cessar a forte influência política em tais escolhas? Não seria mais positivo para os brasileiros? Em vez da árvore enxergar-se-ia a floresta. Com a palavra  a  OAB, as associações de juízes, promotores e da sociedade organizada.

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