12 outubro 2012

ARTIGO DA SEMANA.


SOU UM APAIXONADO PELO NORDESTE
(Por Rubens Coelho – jornalista - rubensfcoelho@hotmail.com)

Devido a circunstâncias contrárias a minha vontade, fui obrigado a viver durante mais de vinte anos fora da região nordestina, mais especificamente na cidade de São Paulo.  Lá me casei com uma paulistana, Clarice, depois nasceram os filhos Juetê e Jussara. Portanto, aparentemente eu estava arraigado na terra bandeirante. Ilusão! Em nenhum momento livrava-me das lembranças das coisas nordestinas. A saudade fincada em meu coração atormentava meus dias. Estava sempre buscando  algo que, mesmo à distância, me aproximasse das minhas origens.

Tornei-me  assíduo nos bairros e locais frequentados por nordestinos, aonde eu pudesse preencher o  vácuo cultural  através do contato com os conterrâneos, em ambientes aonde  se pudesse ouvir uma boa cantoria, música regional, acompanhada da gostosa comida, também regional: arroz vermelho, carne de sol, paçoca, sarapatel, buchada, fussura, farinha de mandioca, sobremesa de rapadura, suco de cajarana, enfim,  saborear a gostosa comida regional.

Mas o mais importante nessas ocasiões era encontrar os conterrâneos para uma boa prosa sobre a origem de cada um, suas lembranças, perspectivas e esperanças. E, nesse embalo, saber notícias da terra. Eram momentos de muita satisfação  sentia-me feliz.  O bairro do Braz, conhecido reduto desses nossos irmãos na grande capital paulista, era um dos meus lugares preferidos. Lá também tinha uma conhecida e famosa casa de forró, pertencente a Pedro Sertanejo, exímio tocador de fole de oito baixos, que sempre se apresentava nos “sambas” das sextas e sábado. Seu filho, Osvaldinho do Acordeon, inseparável parceiro do pai também animava as festanças da casa. Era um arrasta pé e tanto.

Nunca descuidei de preparar minha  esposa Clarice e meus filhos  para a possibilidade de virmos embora para o Nordeste, não importava o lugar, bastava a oportunidade de fazê-lo  para concretizar meu desejo. A ocasião tão longamente sonhada surgiu quando o mano Rútilo fez-me o convite para vir ajudá-lo no gerenciamento de sua construtora R. Coelho.  Agarrei a chance como uma criança que ganha um brinquedo novo e num mês de julho de 1988, há exatamente 25 anos e  quase quatro meses, desembarcamos  na “caliente” e generosa terra dos Moxorós, aonde fixamos residência  e, estamos vivendo bem  até hoje, graças  a Deus. Aqui, nasceram meus queridos quatro netos, portanto, mossoroenses da gema, como se costuma dizer.

Morar em Mossoró, foi uma opção pela  qual agradeço  ao Pai Celestial ter feito. Estou cada vez mais convencido disso.


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