17 maio 2012

ARTIGO DA SEMANA.


A CHATICE DO CHATO
(Por Rubens Coelho - jornalista - rubensfcoelho@hotmail.com)

O chato é uma figura inevitável em qualquer lugar. A infelicidade é ter a má sorte de se depará com o tipo, pois se assim acontecer, a vítima passará por maus bocados.

Outro dia encontrei com o Simplício, que me relatou momentos de angustia, dele e a esposa, dona Constância, quando toparem com um legítimo chato. Estavam num restaurante, sentados à mesa, aguardando o garçom trazer o almoço, quando de repente, chegou o tipo que o casal já conhecia de outros carnavais, conhecido pela sua tagarelice impertinente e inconveniente. 

O dito cujo, abriu a porta de vidro do restaurante, olhou para um lado para outro, deu de cara com Simplício e não contou conversa, foi direto à mesa dos amigos. Cumprimentou Simplício com uma forte tapa nas costas, que fez o copo de suco que ele sorvia derramar-se sobre a toalha branca. Depois sem ser convidado, puxou uma cadeira e sentou-se. 

Aos berros; - garçoom...traga aqui uma dose de whiski com muito gelo, para mim. – E aí, rapaz, tudo bem? Tudo, Simplício respondeu laconicamente, na van tentativa de evitar conversa. Não teve jeito, - Homem, tu tá velho, hein? Gordo barrigudo, cabelos ralos e brancos, que tá acontecendo? – Nada, é a idade mesmo. – Quantos anos você tem? –Ah, nem me lembro mais – Tá negando a idade né bichão? Deu uma gargalhada espalhafatosa.

- E dona Constância, como vai? Bem também. – Com todo respeito, a senhora é uma coroa enxuta, falava balançando irritantemente o copo de whiski com gelo.-Sabe, estou sozinho, porque no sábado, não vou andar com rabo de saia grudado em mim. Quero é me divertir, a mulher que fique em casa cuidando dos seus afazeres né? Educada, dona Constância fez que não estivesse ouvindo a cretinice do chato. O casal mantinha-se em silêncio, enquanto o mentecapto falava sem parar.

-Simplício, como vão os negócios?- Bem- É mesmo? Mas a concorrência no seu ramo está braba, não sei como você agüenta! - Ah, sem problema, já estou acostumado, sempre foi assim. - Apois, homem, agora tô ganhando um bom dinheiro. Compro sulanca e muambas em Caruaru, não pago impostos e ainda ganho cem por cento nas vendas das mercadorias. Já comprei um ótimo apartamento na Nova Betânia, uma haillux zerada, outro dia até meu retrato saiu no jornal, numa coluna social, não me lembro de quem. Tô muito bem de vida, vocês num acham? –Sim. Simplício respondeu indiferente a gabolice do sujeito.

Não mais suportando a incômoda companhia, o casal interrompeu o almoço e pediu a conta. Antes que o garçom chegasse, o chato percebendo, levantou-se: - Agora vou é comer uma buchadas das boas, no Zé da Volta e saiu sem pagar as doses de whiski ingeridas. - Té logo, foi um prazer encontrar os amigos. E se mandou todo serelepe.

A chatice do chato estragou o almoço do casal, programado para o sábado que em vez de ter trazido satisfação causou frustração. E não era para menos.

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