06 novembro 2011

ROSA E CRAVO.

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ROSA E CRAVO
(Por Paulo Afonso Linhares- jurista, professor e empresário)

Sim, tão efêmera como a famosa “rosa” de Malherbe (geralmente fala-se de “flores”...) foi a decantada aliança política celebrada pelo então presidente da Assembleia Legislativa estadual, deputado Robinson Faria, com a tríade que lidera o DEM no Rio Grande do Norte (senadores José Agripino Maia e Rosalba Ciarlini Rosado, além do marido desta, ex-deputado estadual Carlos Augusto Rosado, soi-disant “mentor, marido e marqueteiro” daquela...), cujo resultado palpável foi à eleição de uma chapa encabeçada por Rosalba Ciarlini Rosado (DEM) para o governo do Estado e daquele como vice-governador, nas eleições de 2010. Não precisava ser gênio em política para prever com precisão o fim desse acordo: em Mossoró, dizia-se nas emissoras de rádio que Rosalba e Robinson não comeriam juntos o mesmo peru natalino. Palpite certeiro, porém, sem qualquer mérito. Tudo muito evidente, como é ilógico uma rosa sem espinho.

Aparentemente tudo correria bem, a despeito de uma série de dificuldades que esse governo teve de enfrentar desde o seu início, sobretudo, em razão de vários movimentos grevistas que paralisaram setores chaves da Administração Pública estadual nos primeiros meses der 2011. Fortalecido com a manobra política bem sucedida que teve como marco inicial o abandono de seus antigos aliados (leia-se: os governadores Wilma de Faria e Iberê Ferreira de Souza, principalmente) e desaguou na montagem de um governo em que seu grupo passou a ocupar generoso espaço (inclusive ele próprio acumulou o cargo de Vice-Governador com o de Secretário de Estado dos Recursos Hídricos e Meio Ambiente), Robinson Faria imediatamente iniciou a montagem de um projeto mais ambicioso: tornou-se o comandante, no RN, do novel partido encabeçado nacionalmente pelo prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, que é o Partido Social Democrático (PSD), que além de ser uma instituição partidária anacrônica “ab ovo”, foi definida pelo seu líder máximo como um partido que não é de direita, de esquerda nem de centro. Pode, “seu” Kassab?

O problema do PSD de Robinson Faria, que já nasceria no RN como uma bancada de seis deputados estaduais, o vice-governador, o deputado federal Fábio Faria e uma “récua” de prefeitos e vereadores. Claro, para montar esse exército o vice-governador avançou com força e determinação nos redutos dos demos potiguares, comandados pelo senador José Agripino Maia que, também na condição de presidente nacional do Democratas, viu seu partido sofrer uma esvaziamento mortal em todos os Estados da federação, com a perda de figuras emblemáticas do porte da (bela e charmosa) senadora Kátia Abreu (PSD-GO), a maior liderança ruralista do país que preside a poderosa Confederação Nacional da Agricultura (CNA). Zé Agripino fez ver a Robinson que não toleraria a invasão de seu terreiro no Rio Grande do Norte. Questão de honra. E jogou pesado na base do canhoneio verbal a ponto que acusou o vice-governador de querer “tutelar o governo” de Rosalba.

Daí para o desenlace foi um pulo, em especial após a astuciosa armação montada contra Robinson Faria, que foi a sua exoneração do cargo de titular da Secretaria de Recursos Hídricos e Meio Ambiente para assumir o governo em face da viagem que a titular faria aos Estados Unidos da América para “negociar uns empréstimos”. São desconhecidos os resultados práticos da viagem, a não ser o de alijar o vice-governador daquela secretaria: reassumindo o governo Rosalba não mais nomeou o vice para o cargo de secretário. A clara humilhação de Robinson Faria tornou inevitável o rompimento político de ambos. O inesperado dessa pendenga política foi a posição tomada pelo secretário-chefe do Gabinete Civil, jurista Paulo de Tarso Fernandes, que ficou solidário a Robinson Faria e também deixou o governo, o que representou uma enorme baixa.

O caminho pouco iluminado e quase sempre íngreme da oposição foi o que restou a Robinson. Diante do seu rompimento com o governo estadual, muitos dos políticos que pretendiam filiar-se ao PSD puxaram o freio de mão, a começar pelo presidente da Assembleia, deputado estadual Ricardo Mota e mais três outros colegas seus (deputados Raimundo Fernandes, Vivaldo Costa e Gustavo Carvalho). O mesmo se diga com prefeitos, vereadores e outras lideranças, que passaram a fugir do PSD como o diabo da cruz. Um problema: a maior liderança oposicionista do RN ainda é a professora Wilma de Faria, antiga aliada de Robinson em quase oito anos de governo e por ele abandonada nas eleições de 2010. Terão que navegar num mesmo barco, se quiserem ter alguns ganhos em 2012 e, sobretudo, nas eleições de 2014. Muita calma nessas horas, afinal, ensina François La Rochefoucauld que “[...] A verdadeira esperança é uma qualidade, uma determinação heróica da alma. E a mais elevada forma de esperança é o desespero superado.” E o que têm, afinal, as flores com esse ninho da cancão? Somente a breve existência: o francês François Malherbe, ao tentar consolar um amigo cuja filha morreu adolescente escreve estes inspirados versos: “Mas ela era do mundo em que vivem as coisas mais belas / Têm o pior destino: / E Rosa viveu o que vivem as Rosas, / O espaço de uma manhã.” O resto é conversa para boi dormir.
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