12 agosto 2011

ARTIGO DA SEMANA.

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NO PAÍS DA CHAFURDAGEM.
(Por Rubens Coelho – Jornalista - rubensfcoelho@hotmail.com)
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Mais uma vez, os brasileiros são surpreendidos? Que nada, virou rotina, com notícias de ladroagem de dinheiro público feitas por quadrilhas encasteladas em ministérios, departamentos, prefeituras, tantas mais repartições públicas entregues a ladrões inescrupulosos, muito deles indicações de políticos aventureiros e desonestos que os colocam em postos chaves para depois dividirem o butim fruto do roubo.
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Os termos quadrilha, gangster e outros da mesma categoria, se enquadram perfeitamente para designar esses patifes que não respeitam nada, que só pensam em se locupletarem, mesmo às custas da miséria da população, como fez o prefeito de Teresópolis no Rio de Janeiro, desviando milhões de reais recebidos da União, destinados à assistência aos desabrigados pelas enxurradas recentemente ocorridas na região.
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Se fosse na China, esses canalhas seriam sumariamente fuzilados; no Brasil, não! Aqui impera a impunidade. Quando os ratos caem na ratoeira, são presos por alguns dias, imediatamente contratam bons advogados, subornam meio mundo, ganham a liberdade, e depois ficam serelepes usufruindo das fortunas conseguidas às custas dos assaltos aos cofres públicos.
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O Brasil deixará de ser o país da chafurdagem, quando houver uma verdadeira reforma político-eleitoral, capaz de alijar da vida pública os arrivistas, aventureiros e desonestos, que buscam um mandato eletivo não para servir ao país, às comunidades que os elegeram para defendê-las. Não! Em vez disso, utilizam-se dos cargos para promover todo tipo de falcatruas. Por isso, sempre afirmo ser a reforma política a mãe de todas as reformas, sem ela, não há como se promover a faxina necessária na vida política e de gestão no Brasil.
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Não se concebe ter um Pedro Novais como Ministro do Turismo, em cuja biografia nebulosa, consta ter enviado para a Câmara Federal, a fatura de gastos pessoais num motel, para ser paga através da chamada verba de gabinete! Mas esse cidadão ‘probo’ foi nomeado e mantido no cargo mesmo depois da denuncia pela imprensa do caso do motel, porque é simplesmente indicado e protegido do Marimbondo de Fogo do Maranhão, o carcomido oligarca José Sarney, junto com o não menos impoluto, deputado federal Henrique Alves.
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O ambiente político-administrativo brasileiro está tão poluído, tão contaminado, que o cidadão de bem, não quer participar, para não se confundir com o chafurdo imperante. O mau cheiro exalado de Brasília e de todos os recantos do país sufocando e revoltando o povo que, muitas vezes, se confunde e acha ser próprio da democracia, tal situação. Essa distorção conceitual é perigosa para o estado de direito que bem ou mal, usufruímos na atualidade.
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É bom não esquecer que, em 1964, os militares, seus parceiros golpistas e reacionários, usaram também o discurso da ética e da moralização para golpearem a Constituição e a democracia. Daí o perigo dos corruptos servirem novamente de instrumento para o retrocesso das liberdades.
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