02 abril 2010

ARTIGO.

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DEVOÇÃO, NECESSIDADE OU ESCOLHA ?
(por Bernadete Cavalcante)
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Como se não bastasse o desafio pessoal de lutar para vencer um câncer, descoberto à porta de entrada de uma campanha eleitoral, o vice-governador Iberê Ferreira de Souza (PSB) terá, ao que parece, outro grande desafio pela frente, administrar, por nove meses, um estado endividado e com três categoriais profissionais em greve ou em estado de greve.
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Na próxima quarta-feira, 31, em sessão plenária exclusiva, a Assembléia Legislativa empossa o vice-governador em substituição a Wilma de Faria que começa (começa?) o seu discurso de convencimento, para chegar ao Senado, de que merece o voto do povo potiguar, fazendo isso pelos municípios do Rio Grande do Norte. Em todos eles, certamente, até naqueles onde ela jamais desenvolveu qualquer ação relevante que possa justificar um apoio.
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E, na corrida pela garantia de um novo cargo público importante, ela deixa para trás uma gana de problemas de presente de páscoa para o seu sucessor. E, conforme se noticia na imprensa potiguar, deixaria, inclusive, a extrapolação do limite prudencial dos gastos públicos. E, se confirmada essa “suspeita” o Estado teria somente até agosto, como prazo, para se afastar dessa “linha de risco”, sob pena de não receber convênios, nem contratar operações de crédito, como reza a Lei de Responsabilidade Fiscal, no seu artigo 23.
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Mas, ao que parece, esse quadro de sucessivos erros poderá afetar, tão somente, a candidatura do próprio Governador, que mesmo com a máquina na mão, certamente terá algumas limitações para que o “poder da caneta” se converta em captação de votos. Sem dinheiro não há muito para fazer e, se assim se configurar, teremos uma campanha de promessas dos três lados, se tivermos mesmo três candidatos, caso se consolide a candidatura do ex-prefeito de Natal, Carlos Eduardo Alves, pelo PDT.
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Por outro lado, sabemos que nessa escola não existe “meninos bobos, nem meninas inocentes” esses “colegiais” tem PHD no assunto, sabem perfeitamente aonde podem e se podem ir. Certamente, Iberê não entraria numa campanha apenas para beneficiar a escalada de Wilma ao Senado, tampouco abdicaria de uma possível eleição à câmara federal e/ou estadual, se não sentisse que tinha reais chances de sentar, por mais quatro anos, além dos nove meses de substituição, na cadeira de chefe maior do Estado, tão almejada por muitos.
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As regras impostas pela justiça eleitoral, certamente impulsionarão um melhor “design” à arrumação do “apoio” de cada um, a cada um dos candidatos, conforme o real interesse desses “apoiadores”. Essa é a regra em qualquer eleição. Enquanto todos discursam tentando nos fazer acreditar no “bordão” de que querem vencer as eleições, porque estão a favor do povo, do Estado e/ou da nação, o que predomina é o interesse pessoal, quase sempre a serviço de grupos, sobretudo os grandes grupos bem instalados no topo da pirâmide, já que na base dela, está à maioria, onde apenas cata os “farelos” que deixam cair la de cima.
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Fico imaginando o discurso de cada um dos “pleiteantes” ao Governo e também ao Senado, principalmente no meu pequeno município; Portalegre. Digo, em Portalegre porque, “coincidentemente”, poderei estar lá em um desses momentos. Pois, se não for dessa maneira, não ouvirei nenhum deles, fora do guia eleitoral, já que não me darei ao trabalho, de sair em bairros de Natal, na busca de um comício, para ouvir demagogia. Seria patético da minha parte.
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Novamente, poderemos vê, em Portalegre, palanques opostos, como sempre existiu até o fatídico ano de 2006. E confirmar, ao final das eleições de outubro, que liderança “lidera” mais na Serra. Podendo construir, a partir desse momento, um “parecer” sobre como se desenhará o quadro sucessório em 2012, quem será o candidato que poderá ter o apoio do governante eleito(a). Sim, porque certaremos teremos pelo menos dois candidatos, já que neste ano o prefeito Euclides Pereira não poderá mais concorrer, e, obviamente, nao repetirá o que fez em 2008; “impor-se” candidato. Talvez, até queira impor "um candidato", mas, vamos pensar que ele, no máximo, exigirá a indicação de vice ( e salvo engano nem seria um familiar de primeiro grau, um filho por exemplo, a lei eleitoral não permite). E, dependendo do nome indicado e do "lado" que se dará essa indicação, não seria surpresa se eu tivesse que votar nulo, outra vez. Afinal de contas tenho como princípio só votar em quem acredito, e um vice desacreditado, pode ser um grande impecilho para o meu exercício de cidadania.
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E se os nomes que pleiteam à sua sucessão, o colocarem numa situação de desconforto, em função de alianças passadas, ele pode, ainda, "lavar as mãos", como fez Pilatos, e feria isso sob a alegação de estar cansado, desejo de deixar a política, preferindo entrar para história, num "discurso” semelhante a frase escrita pelo ex-presidente Getúlio Vargas, justificando seu último ato. A sua vida política, com ele bem vivo, é claro, continuaria como cidadão, sentado na sua calçada, acompanhando e opinando sobre os acontecimentos. Isso tudo, com com uma boa aposentadoria, evidentemente, como merece todo trabalhador brasileiro. Especialmente, àqueles cujo esforço para chegar ao poder foi incalculável.
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Mas, na sua biografia de homem público, que largaria a política depois de passar por todos os cargos existentes na instância municipal (vereador, vice-prefeito, secretário municipal e prefeito), certamente deverá contar, desde a belíssima eleição de 1996, até o capítulo que narraria o triste episódio do candidato que, com o apoio de todos os partidos do município, disputando uma eleição cujo adversário era si próprio, teve que "presenciar" ao final da apuração, o maior número de votos nulos e brancos “jamais vistos na história de Portalegre”, sobretudo numa eleição de candidatura única.
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