15 setembro 2006

CAETANO AFIRMA NÃO VOTAR EM LULA

Aos 64 anos, o leonino (que diz não acreditar em astrologia apesar de usá-la em muitos momentos como referência) tem muito desejo de voltar aos palcos - "Está tudo pronto, é o mesmo grupo que gravou, mas ainda não sei quando começaremos, se em outubro ou novembro" - e muito desânimo com a falta de opção na disputa presidencial. Neste tema, só uma certeza, não bisará o voto em Lula. "Votei no Lula e não me arrependo. Mas não esperava muito. Apenas tive muita tristeza quando vi estourarem esses escândalos e ver confirmada uma previsão que foi feita antes da eleição por um sujeito que conheci, que fora ligado ao PT, tinha trabalhado com gente do PT em prefeituras do interior de São Paulo, e que me disse: 'Pode vir aí um negócio de corrupção maior do que jamais houve'", conta Caetano, que se revolta com a idéia de apagar o passado recente. "Acho muito ruim se Lula vencer no primeiro turno e ficar parecendo que se passou uma esponja sobre tudo. Escândalos surgiram, os acusados foram acusados pelos seus companheiros, não pela oposição, nem pela elite, nem pela mídia. Foram acusados através da mídia pelos seus companheiros de falcatruas. E nenhuma das acusações foi desmentida, nunca. E todos os acusados foram afastados, fossem do PT, fossem do governo. Lula se disse traído pelos companheiros e sempre apresentava uma solenidade de despedida daquela figura fazendo-lhe elogios morais e transferindo a responsabilidade para o que chamava de 'as elites', que na verdade o apoiavam e continuam o apoiando, e a mídia." Na entrevista de uma hora e meia dada no escritório de sua ex-mulher e ainda empresária Paula Lavigne, Caetano faz questão de marcar posição. Para ele, o Brasil, que deu um exemplo de maturidade política com o impeachment de Fernando Collor, não deve regredir. "Por isso não voto em Lula.
IMBECIL - Detesto me sentir um imbecil, não posso, eu me mantenho lúcido diante disso. Temos que estar atentos para que o segundo mandato de Lula possa mesmo ser melhor que o primeiro. Não que tenha sido um mandato péssimo. Foi um mandato medíocre como o de Fernando Henrique Cardoso, o que é muito bom para nós. Por que isso aí é o quê? Vão ser 16 anos da esquerda marxista da USP. Foi o que Fernando Henrique nos deu de presente com esse negócio de reeleição e de botar Lula lá. Porque ele fez isso também, contribuiu muito para isso. Tenho que ter a minha própria paranóia, e é assim que ela se manifesta para poder ler a realidade, e faço esse recorte dessa maneira, entendo assim e acho que faz muito sentido." Ele diz que em 1989 seu candidato era Brizola e apenas votou em Lula, contra Collor, no segundo turno.
OPUS DEI - E em 2006? "Não temo que Alckmin tenha a Opus Dei, não temo Crivella, nem Deus, que, como Lula disse, toma conta do Rio de Janeiro. Eu temo é uma tendência dirigista que venha se sentir muito à vontade. Não gosto de votar nulo, não digo que seria impossível votar em Alckmin, mas seria um voto não muito animador. Pensei que ele fosse ser algo mais substantivo e que se impusesse como alguma coisa diferente mesmo, legível, com um programa de como se deve conduzir o Brasil, mas não é.
HELOISA - Pensei em votar em Heloísa Helena porque é a primeira candidata mulher à Presidência da República, como Lula foi o primeiro candidato operário, então isso já é uma grande razão. Porém eu votaria nela na certeza de que não seria eleita, numa espécie de homenagem, e por ter sido coerente com as idéias que tinha antes, o que é também bonito. Embora as idéias que ela tinha antes não me agradem e me pareçam ser sonhos perigosos, que não me interessam.
CRISTÓVAM - Penso talvez em votar em Cristovam Buarque. É um sujeito OK, direito, interessado em edução, mas não foi muito animador como ministro da Educação, mesmo que as condições entre ele e o PT e Lula não tenham ajudado.
CANDIDATO IDEAL - Meu candidato teria sido Roberto Mangabeira, se ele tivesse conseguido fazer da idéia dele uma candidatura propriamente. E eu suponho, quando vejo Lula com Crivella, que Mangabeira não esteja nem tão longe de achar que o segundo mandato do Lula possa ser melhor, e talvez ele até possa contribuir para isso.
EXCEÇÃO - " Gil é uma exceçãoAinda no terreno da política, Caetano foi contra a ida de Gilberto Gil para o Ministério da Cultura. Mesmo assim, aplaude a atuação de seu parceiro na Tropicália como político. "Gil ficou muito bem como ministro, ficou até o fim, mas espero que não entre no segundo mandato. Tenho muitas reservas da aproximação de artistas com o poder oficial, não porque tenha uma proibição, não é comigo, não é um interdito total, mas tenho um pé atrás, uma restrição. Era preciso que muitas coisas acontecessem para que admitisse uma aproximação desse tipo. Mas, a partir do momento em que ele foi, fez muito bem ao ministério, deu visibilidade. Foi um ministro que se manteve até o fim muito bem, num governo que teve dos problemas mais terríveis." (Fonte: sanatório da imprensa)

Um comentário:

Anônimo disse...

Caetano está ficando "gágá" antes mesmo dos setenta. Entrou em paranóia, não diz que-com-que e tenta jogar farinha no ventilador. Uma lástima.